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Grandes frases da pandemia

Brasil, Maio de 2021 = 412 Mil mortos.

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Em breve:

A história do maior roubo de arte ocorrido no Brasil e um dos maiores listados pelo FBI. No Carnaval de 2006, quatro homens invadiram o Museu Chácara do Céu, no bairro de Santa Tereza, Rio de Janeiro, e roubaram um Dalí, um Matisse, um Monet e dois Picassos .

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Um Menguele para Bolsonaro

Não é de hoje que Bolsonaro vem exercendo um papel duplo. Ora o de “democrata” ora o de aprendiz de fascista. A sua instabilidade emocional e as crenças numa “direita” aos moldes do nacional socialismo alemão o tornam caricato e nefasto aos olhos de quem ainda raciocina. Mas esta aparente comicidade tem levado o Brasil a grandes tragédias. O comportamento acintoso e a irresponsabilidade deste sujeito causaria estranheza até mesmo em Menguele. A solução às avessas do nosso aprendiz de ditador é quase um extermínio em massa . Trezentos mil mortos e o “presidente” ainda insiste em combater as medidas de distanciamento social e colocar em dúvida até mesmo a necessidade da vacinação.

No desgoverno dele, ministro bom é aquele que não discute nem diverge de suas loucuras. Uma mistura de capacho com papel higiênico. De preferência com consciência desdobrada em folha dupla. Bolsonaro não precisa de ministros mas de bonecos ventríloquos que apenas digam amém aos projetos do “Reich” tupiniquim que ele teima em instituir no Brasil.

Bolsnaro só falta pedir a volta do voto cochichado. Como nos tempos em que o eleitor cochichava no ouvido do ouvidor o seu candidato. Mas o ápice da sua loucura deve ser mesmo sonhar com a posse de um ministro como Menguele. Bolsonaro é um genocida. Que o Brasil e o mundo não se esqueçam disto.

It is not just today that Bolsonaro has been playing a dual role. Sometimes the "democrat" or the apprentice fascist. His emotional instability and beliefs in a "right" along the lines of German national socialism make him cartoon and nefarious. But this apparent humor brought Brazil to great tragedies. The blunt behavior and irresponsibility of this guy would cause strangeness even in Menguele. The reverse solution of our apprentice dictator is almost a mass extermination. Three hundred thousand dead and the "president" still insists on fighting as measures of social distance and doubting even the need for vaccination.

In his mismanagement, a good minister is one who does not argue or diverge from his follies. A mixture of doormat and toilet paper. Preferably with conscience unfolded in double sheet. Bolsonaro does not need ministers but ventriloquist puppets who only say amen to the projects of the Tupiniquim "Reich" that he insists on instituting in Brazil.

Bolsnaro just needs to ask for the return of the whispered vote. As in the days when the voter whispered his candidate in the ear of the ombudsman. But the pinnacle of his madness must be to dream of the inauguration of a minister like Menguele. Bolsonaro is a genocide. May Brazil and the world not forget this.

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Telminha – Gênese de uma pilantra

Nossa personagem é o típico produto da classe média brasileira. Criada para se dar bem a qualquer custo. Mimada no colinho do papai. Orientada pela mamãe quando o assunto é encontrar um macho gordo (carteira recheada).

Não foram poucos os viajantes que se assustaram com a violência e a licenciosidade dos brasileiros quando por aqui aportaram. Em qualquer esquina podia se encontrar um assassino disposto a matar por ninharia. Os homens de bem mantinham um plantel de negras e negros a disposição dos desejos mais vis. A senhora e os filhos legítimos acompanhavam o ritmo da vida na colônia sem reclamar, enxergar ou exigir além do que recebiam. Numa hipocrisia de causar inveja até no cramulhão. Os filhos legítimos iam estudar fora da colônia e voltavam ostentando a palavra “doutor” nos anúncios da família. Enquanto os filhos bastardos carregavam o estigma de coisa ruim pelo resto da vida e sem direito ao sobrenome do pai. Pouca coisa mudou nas ditas famílias de bem. O hábito de imitar estrangeirices continua igual nos dias de hoje.

As “Telminhas” estão por aí. Bem criadas. Estudando em bons colégios. Ganhando tetinhas e uma bundinha arrebitada para alegrar os olhos do papai. Limando as presas para atacar o primeiro otário endinheirado que possa lhes garantir uma boa vida.

A nossa Telminha em questão estudava em colégio de freira e possuía uma pele branquinha feito porcelana alemã. Os peitinhos em flor e a bundinha dura prenunciavam o mulherão prestes a florir. A mãe, orgulhosa da bisca, fazia a cabeça da filha. Nada de dar trela pra pobre e xarope. Selecionava a dedo as amiguinhas e os amiguinhos que rodeavam a cadelinha. Ensinava e estimulava a filha a usar maquiagem e acessórios. Roupinhas sensuais, caras e boquinhas nas fotos eram a regra de ouro para a representação da família feliz. O loque, intitulado marido, pagava os luxos da perua e se orgulhava da filha comportada e bem-feita. A fêmea perfeita. Se deliciava vendo a menina tomar banho. Morria de ciúmes e sofria imaginando outras mãos bolinando aquela preciosidade. Telminha a única. Dependesse dele não sairia de casa e muito menos se casaria. Seria só dele. Todinha dele.

“Bicha”, “puta”, “corno”, “sapatão” e “ladrão” a Telminha puvia que só existiam na casa dos outros. O lar onde ela vivia era o prenúncio do céu. O pai era justo e trabalhador. A mãe um primor de mulher. As línguas ferinas é que tentavam borrar a boa imagem da família. Mas a Telminha, aos doze, sofreu o primeiro golpe nas suas certezas. Ficou sem voz. Sentiu embaralhar o estômago. Pegou a mãe e o personal trainer na cama. A mãe gritava e falava palavrões. A cama rangia forte. Telminha não sabia o que dizer. Se escondeu no quarto e ficou ouvindo a mãe gemer. Só mais tarde, depois de se despedir do garotão, a perua se tocou que a filha estava em casa. Conversou com Telminha. Explicou, de maneira floreada, o que era o casamento. E ganhou a promessa de Telminha que aquilo seria esquecido. Naquele dia, a menina recebeu o pai com um sorriso largo no rosto. Nem parecia ter visto o que viu.

Com o tempo a mãe passou a não esconder da menina o que se passava entre ela e o personal trainer. A menina crescia a olhos vistos. O pai se orgulhava dos seios empinados e da bunda durinha que ela exibia. As pernas compridas e a pele branca. Lisinha feito uma princesa. O pai não vacilava. Sempre de olho na cria. Se iniciava a fase dos namoricos de escola. Bailinhos. Marcação cerrada.

O primeiro beijo. A mãe estimulou Telminha a se apromixar do filho da vizinha. “Bom partido para minha filha este teu filho” ela comentava com a mãe do menino. Nas festinhas do condomínio deixava os dois dançarem. As mães conversavam, mas a perua ficava de olho na mão boba do menino. Mas como não dá para ser onipresente, a mãe da Telminha não estava quando um garoto do colégio arrastou a Telminha pro banheiro. Foi a primeira vez, aos quinze anos, que ela segurou e mamou num pau. Até então só havia visto o do pai e o do garotão que comia sua mãe. Botou o pirulito na boca, lambeu até cansar. O garoto quis deflorar a Telminha ali mesmo. Mas a aula ia recomeçar. O garoto conseguiu arrastar Telminha pra casa depois da aula. Tirou o cabaço da menina. Gozou nos cabelos e esculachou sem camisinha. Quando Telminha chegou em casa a mãe armou o banzé. Percebeu a traquinagem e foi só sermão. Jogou fora a calcinha manchada de sangue. Quis saber os detalhes. Preocupada levou a menina no ginecologista. A carreira de Telminha estava só começando.

A mãe passou a abrir o jogo com a menina. Até comentava quando achava um garotão bonito. Estimulava Telminha a se produzir, cuidar do corpo e sensualizar. Nada de ficar dando de graça e passando na mão de pé rapado. Devia estar atenta para laçar um bom partido. Partir pro chá de buceta e prender o loque na cama. A mãe só aliviou quando Telminha contou que o garoto do colégio estava se mudando para outra cidade. Com o passar do tempo Telminha foi ficando interesseira e fútil. Competia com as outras sirigaitas do colégio. Luta de foice no escuro. Gustavo, filho de um médico famoso, era disputado quase a tapa nas festinhas. As mães se esmeravam para cativar o futuro genro. Garoto de família distinta, rico e bem apessoado. O loque perfeito.

Esperta, a mãe de Telminha armou o circo. Bancou a cafetina e convidou a mãe do garoto para um chá. Queria se aproximar. Estreitar os laços da sua família de bem com a família de bem do meninão. Contou a presepada pro marido que ficou puto. Não queria saber de nenhum cachorrão rodeando a filha. No dia do chá, o casal tratou de paparicar a mãe do garoto. A perua foi ganhando a confiança da mulher. A mãe de Gustavo havia ido sozinha. O pai de Telminha até deixou ela arrastar o garoto para o quarto. Depois que o pai saiu para assistir uma partida de futebol, a mãe do garoto, inocente, caiu nas garras da perua e abriu o jogo. Revelou que o casamento estava por um fio. E que o marido só pensava no trabalho e em ganhar dinheiro. Chorou as pitangas e entregou o ouro pra bandida da perua. As duas passaram a se encontrar e trocar confidências. A perua, escolada, armou a patranha e enredou a mãe do garoto com o personal trainer. Na terceira sessão o garanhão faturou. “Só anal” o cafajeste contou, rindo na cama ao lado da perua. Os dois gargalhavam e a perua imaginava aquela senhora toda pomposa e educada se esbaldando na jeba do garotão.

Telminha e Gustavo passaram a fazer cursinho juntos. A menina, pilantra, só ficava nas carícias e no máximo chupava o pau do rapaz dentro do carro. Contava uma lorota que só depois do casamento liberaria o material. Gustavo foi ficando fissurado na Telminha. Assim como a mãe foi arrastado para a teia daquela família.

Aos dezessete, Telminha, já era um mulherão. Ainda tinha o hábito de circular quase pelada pela casa e sentar no colo do pai. A mãe de Gustavo contava tudo pra perua. Estava louca pelo garotão. Até casa de swing estavam frequentando nos dias em que o marido dava plantão na Santa Casa. Uma loucura. A perua se esbaldava com as putarias da coroa e tratou de preparar o futuro de Telminha. A perua já havia sacado que Telminha não levava muito jeito para os estudos. Seguindo os passos da mãe, a menina preferia cuidar do corpo e fazer compras no shopping. Também chupava muita rola quando Gustavo descuidava. Andava de conversinha com um primo surfista. Gostava do jogo, o namorado ficava na mão e o primo se esbaldava no melado. Ficou preocupada quando Gustavo exibiu o resultado do vestibular. Havia passado em medicina. Telminha rodou em todos os vestibulares que tentou. Não passou em nada. A perua, cabreira, imaginou que na universidade Gustavo estaria rodeado de piranhudas. Muita mulher dando sopa. E o jogo duro da Telminha poderia sair pela culatra. Chamou a filha e deu a letra.

Num final de semana, Telminha arrastou o namorado para Teresópolis. Fez o goiaba reservar um hotel de luxo. Caprichou no perfume. Vestiu a lingerie de rendinha e seguindo os conselhos da mãe, deu um chá de buceta no coitado. Telminha escrachou. Deixou o loque se  lambuzar e até meteu o vibrador no cu do rapaz. Ele gostou e até pediu pra vestir a calcinha dela. Telminha deixou o loque gozar na gruta e liberou o cu. A putaria correu solta no final de semana e Gustavo, bêbado, chegou a confessar que tinha vontade de ver ela com outro macho.

O patinho caiu direitinho na patranha da perua. Apavorado, ficou sem entender quando o pai e a mãe de Telminha chamaram ele e a família para um papo reto. O pai do Gustavo arregalou os olhos quando viu o exame. Telminha estava grávida. A mãe do rapaz chorou. A perua fez coro. Estrilou e exigiu uma explicação. O pai da menina não ia admitir uma putaria destas. Telminha abraçou Gustavo. Beijou e fez o papel de noivinha feliz. Arrancou um sim do loque. E duas semanas depois, exibindo um diamante nos dedos, anunciaram, na coluna social, o noivado. A perua mal se continha. Estava prestes a colocar os pés na alta sociedade. O marido, sem entender tudo, se entristecia ao imaginar a casa sem Telminha.

No conto de fadas de uma pilantra da classe média, criada para desposar um loque, o ápice do sucesso são os flashes espocando na cara. Não tem preço ver a inveja estampada no rosto das amigas e dos parentes. O loque, metido dentro de um fraque, pomposo, abriu um sorriso quando Telminha surgiu na porta da igreja. A perua chorava de alegria. O pai abriu um sorriso tímido e entregou a filha para o noivo diante do altar. O último tapinha na bunda da filha. A mãe do noivo só tinha olhos para o personal trainer que assistia tudo da última fileira. O pai do noivo, sério, temia pelo futuro do filho. Bastou uma olhada para entender quem eram os pais de Telminha. O padre sacramentou. “Eu os declaro marido e mulher”. Na saída, o primo de Telminha abraçou-a e colocando a mão na barriguinha, sussurrou-lhe algo no ouvido. Antes de entrar no carro ela virou o pescoço e deu uma piscadinha.

João Ganeo – Pilantras – Constos da Pilantragem

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Próximos lançamentos:

Em breve no site da Amazon, estará a disposição dos leitores os dois livros de contos sujos de João Gaone.

Mais do que simples erotismo, João Gaone narra histórias do mundo cão. Nesta antologias de contos estão presentes histórias protagonizadas pelos mais variados personagens. O seminarista, a chefe de cozinha, o jovem que é vítima da própria beleza, o motorista de madame, o cafajeste e o cafetão. Transitam pelas paisagens de São Paulo, mas poderiam estar nas praças, casas, hotéis e escolas de qualquer cidade. Nestes contos eróticos, a escrita de João Gaone, marcada pela força e observação do cotidiano, vem carregada de sangue, suor e sêmen.

Soon on the Amazon website, the two dirty story books by João Gaone will be available to readers.

More than simple eroticism, João Gaone tells stories of the underworld. In this anthology of stories are present stories carried out by the most varied characters. The seminarian, a chef, the young man who is a victim of his own beauty, madame's driver, the boor and the pimp. They transit through the landscapes of São Paulo, but be in the squares, houses, hotels and schools of any city. In these erotic tales, João Ganeo's writing, marked by the strength and observation of everyday life, is loaded with blood, sweat and semen.

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Treme – Treme

Um conto do cortiço mais famoso de São Paulo

Um conto do cortiço mais famoso de São Paulo

De quinze em quinze dias, depois do expediente, o doutor deixava o Palácio da Justiça e se dirigia até a baixada do Glicério. Vestia um terno escuro bem cortado, gravata de seda amarela, usava as abotoaduras que foram do bisavô e calçava os sapatos de cromo italiano que a filha trouxera de Roma, imaculadamente, lustrados. O motorista não perguntava nada. Já conhecia o itinerário. O doutor não gostava de falar muito. No gigante de concreto armado com brises laterias ia encontrar seu amigo Nassib no 27º andar. Um árabe grisalho e de fala mansa que atendia no edifício São Vito desde 1959. Nassib é um amigo dos tempos da faculdade. Mas que ao invés de ostentar o peso da toga preferiu a leveza da libertinagem.

Neste círculo do inferno às avessas, de onde se atiravam pelas janelas, privadas e botijões de gás, ao contrário de Dante, o doutor subiu ao invés de descer. E quando chegou no último andar Nassib o aguardava na porta. Os dois se cumprimentaram. Trocaram abraços. O cavanhaque de Nassib, as sandálias brancas e o bisht escuro, de pele de camelo, sobre a túnica branca lhe conferiam um ar de mercador do século XIX. O apartamento todo preto tinha penas uma confortável poltrona de couro e um lustre enorme de cristal. Mais nada. No centro um tablado de madeira.

Onde Nassib expunha as mercadorias. Ou achados como ele dizia. Só se comunicava com o doutor através de um mensageiro. Era nas cartas que Nassib anunciava as atrações. Asiáticas, negras, garotos, garotões dotados e outras excentricidades que o doutor apreciava. Nassib se esmerava. Buscava nos inferninhos do baixo augusta, nas ruas do Brás e até mesmo nas recepções chiques que frequentava. Gostava de corromper. Sempre a procura da beleza que se possa comprar. Para ele não havia perversão maior do que o pudor. Naquele encontro o doutor iria assistir a apresentação de uma anã. Tetas grandes e lábios carnudos. Nassib bateu palmas e um negro parrudo, com um casacão de couro, surgiu com a anã no colo e um Mastim na coleira. Outra vez Nassib bateu palmas e o show começou.

Nassib se despediu do doutor. Eram discretos. Ele não comentou que havia encontrado um pitéu raro. Não quis atiçar o doutor. Dias destes, escolhendo tâmaras no mercado municipal, deparou-se com uma menina de pele clara e rosto angelical. Dezenove aninhos e uma cabeleira fulva que passava da cintura. Ela ajeitava maçãs num cesto. As mãos pequenas não cansavam de repetir o gesto. Nassib prestava atenção na moça. Estatura média, quadril de dançarina árabe. Nádegas redondas e durinhas. Uma beleza bruta. Nassib rodeou o boxe onde ela trabalhava. Conversou com um comerciante ao lado. Fez compras. E resolveu entrar. A menina estava ali. Deixou de se entreter com uma revista de fofocas e veio atendê-lo. Nassib escolheu maçãs. Vermelhas, suculentas.

Ganhou a moça na conversa. Fez elogios. E quando ela riu de outro elogio mais sacana ele aumentou o tom. Perguntou se ela tinha namorado. Ela balançou negativamente a cabeça. Elogiou o cabelo e jogou o velho papo de que talvez a conhecia de algum lugar. Antes de ir embora ele abriu o pacote e ofereceu uma tâmara. Disse que ela e o fruto possuíam o mesmo cheiro. Doce e suave. A loira revelou o nome: Nádia. E quando Nassib se afastou, fez uma careta.

Nassib rodeou a carniça feito um chacal. Apareceu de surpresa no meio da tarde. A garota estava triste. Nassib consolou. Ela abriu o jogo. A mãe estava mal dos nervos e o pai atolado na bebida. Nassib até poderia ter avançado, mas preferiu ouvir a cantilena e consolou a pobrezinha. Antes de sair colocou uma nota na mão de Nádia. Havia jogadoa isca.

No quinto dia de ronda, Nassib convidou a garota para almoçar. Ela já começava a desconfiar. Nassib era respeitador. No fundo o que lhe excitava era o pudor e a resistência. Sabia que Nádia não era uma piranha qualquer. Não iria ser fácil. Ela sofria. Era pobre. Mas nem cogitava rifar o corpinho. Nassib fez o tipo paizão. Contou uma lorota de pai desprezado e viúvo infeliz. Também chorou as pitangas. E ficou satisfeito com as confissões que Nádia lhe fez. O ato final da sua canalhice seria abrir o jogo. Como o amante desesperado. Como o cúmplice de um roubo. Sem meias verdades. Trazê-la para junto do seu mundo. Um mundo podre e corrompido.

No restaurante chique dos jardins, Nádia recebeu com espanto o dinheiro. Nassib disse que era um presente. Não aceitava recusa. Disse que admirava a beleza e o caráter de Nádia. Fez rodeios. E para deixá-la ainda mais intrigada confessou que não queria fodê-la. “Tens idade para ser minha filha” segurou nas mãos de Nádia, apertou e jurou amizade. Nádia não estava acostumada com a boa mesa e nem com ambientes refinados. Nassib escolheu um bom vinho. Indicou um prato e fez gracejos. Os dois jantaram como pai e filha. Fez como o lobo que antes de devorar suas vítimas agita a cauda feliz. Um pouco alta devido ao vinho, Nádia contou sobre suas aventuras. Decepções. Um diamante bruto em mãos erradas. Nassib questionou. Queria ter a certeza de que não romperiam a amizade caso lhe contasse algo mais lascivo. Ela disse que não. Concordou em ouvi-lo. Ele contou sobre um amigo. Floreou o relato e sondou o terreno. Ela estava gostando, não iria afundar. Sua postura e os olhos arregalados revelavam curiosidade. Nassib foi direto. Queria saber se ela toparia se apresentar para um amigo excêntrico. Nua. Ela riu. Balançou a cabeça e disse que nem sabia dançar direito. Nassib estava sério. Soltou a fumaça do charuto e ofereceu uma boa soma. Mais do que ela ganharia em um ano de serviço. E a chance de acompanhá-lo numa viagem ao Líbano. Secretária executiva. Nassib jurou que não a queria como prostituta. Também não queria perder a amizade após a conversa. Ela balançou a cabeça. Parecia triste. Eles mudaram de assunto. Mas antes de descer do carro, Nádia prometeu que iria refletir sobre o assunto.

Nassib estava no limite. Faltavam poucos dias e o doutor aguardava novidades. Logo teria de acionar o mensageiro. Nassib passou no boxe quase no final da tarde. Nádia estava chorando. Acabara de ser demitida. O português filha da puta que gerencia o boxe tinha lhe dado as contas. Precisava ajeitar o lado para uma sirigaita que ele bicava. Por essa Nádia não esperava. Por muito pouco Nassib não a perdeu. Escolado, levou Nádia para tomar um suco e propôs um passeio. No carro, Nádia disse sim a proposta do “amigo excêntrico”. Nassib engasgou. Não disse nada e esperou até estacionar na Oscar Freire. Não queria perder tempo com choradeiras e arrependimentos. Sabia que Nádia merecia coisa melhor do que receber ordens de um português de merda e estragar as mãos carregando caixas de fruta. Para levantar o astral da garota, Nassib lhe fez uma surpresa. Nada lhe dava mais prazer do que dar um banho de loja numa garota como Nádia. Polir o diamante. Escolheu roupas e sapatos. Assistiu, nos olhos da garota, a simplicidade dar lugar à ganânciao. As vendedoras o conheciam. Sabiam que o velho abria a mão. Achavam-no doido e tarado. Mas ele nunca provocava as vendedoras. Sempre respeitoso. Misterioso. As vendedoras tinham medo. E por isso, Nádia, foi atendida com todos os mimos. Nádia saiu do provador metida num vestido preto aberto na lateral. “Yves Saint Lorain” a vendedora anunciou. Os olhos dele se arregalaram. Nádia estava estonteante. Ela abriu um sorriso. Nassib retribuiu e não discutiu a escolha. Pagou o preço e levou Nádia até uma loja de perfumes.

Chanel nº 5 ele ordenou. Nádia experimentou. Nunca na vida tinha usado um perfume destes. Macho nenhum a tratara desta maneira. Nassib sentiu a fragrância no pescoço de Nádia. Por dentro, o velho cafetão explodia de prazer. Exultava com a transformação da mulher tosca em bela flor. Um botão de rosa prestes a desabrochar e apodrecer. Pisando em nuvens, saíram de braços dado e partiram para a melhor parte deste jogo sujo. Os sapatos. Nassib estava nas nuvens. A cada desfile, os pezinhos mimosos de Nádia lhe acariciavam a alma. Ela mostrava o pé. Ele escolhia os modelos. O talhe precioso dos pés impressionava. O que o doutor não daria para estar no lugar dele. Nassib assistiu os pezinhos desfilarem. Teve medo de se entregar e revelar o fetichismo doentio que o dominava. Como se este “Fétiche” (feitiço) pudesse fazer com que ele cometesse um desatino. Os dois voltaram carregados de sacolas para o carro. Nádia não queria voltar para a casa dos pais. Nassib foi pego de surpresa. Havia um acordo entre ele e o doutor. Jamais se envolver com a presa. Mas Nassib já estava envolvido demais para recusar. Ele ligou o carro e arrancou.

Nassib levou Nádia para o apartamento. Não o matadouro que ele possuía no São Vito, mas para o confortável imóvel em que ele morava no bairro de Higienópolis. Nassib estava quebrando as regras. “Jamais se envolver”, o doutor avisou. Muito menos levar a presa para casa. Isto poderia significar a ruína do esquema. Nádia ficou impressionada com a vista. Com os móveis caros e a quantidade de tapetes orientais espalhadas pelo apartamento. Nassib preparou os drinques. Os dois conversaram muito.

Nádia se soltou. Sentia que a bebida consolava e invadia seu corpo com força. Nassib pediu que ela provasse o vestido mais uma vez. Nádia obedeceu, borrifou o Chanel nº 5 e ficou nua diante de Nassib. As velas na borda da lareira, iluminavam o corpo bem-feito e revelavam toda a graça da juventude. Nádia calçou os sapatos. Se aproximou de Nassib. Deixou que ele sentisse a floresta dourada no triângulo da pélvis. Nassib tocou de leve na vulva carnuda e vermelha. Não podia avançar. Não deveria. Desejava apenas. Só a pontinha do dedo. Ela parecia gostar. Olhava bem nos olhos de Nassib. Ele pediu que ela provasse o vestido. Ela desfilou. Compreendeu o jogo do sacana, soltou as alças e deixou o vestido cair. Jogou na cara dele. Ele cheirou, demoradamente, o tecido. Sentiu a textura no rosto. Pediu que ela se virasse. Admirou a bunda carnuda. Nassib a masturbou. E só gozou sobre o vestido depois que ela lhe alisou o cacete com a sola dos pés.

No dia seguinte, Nassib saiu bem cedo. Deixou sobre a sacola do vestido um bilhete para Nádia. Uma manicure iria passar no apartamento para cuidar dos pés e das mãos. Pediu que ela lhe telefonasse na hora do almoço.

Dez horas em ponto. O mensageiro atravessou os corredores do Palácio de Justiça e foi até o gabinete do doutor. A secretária tinha ordens expressas para deixá-lo entrar. O garoto, imberbe, e de traços orientais avançou. O doutor estava no telefone. Circunspecto, encarou através das pesadas lentes o mensageiro. Tentava encontrar algo que lhe desagradasse no aspecto impecável do rapaz. O garoto deixou sobre a mesa o envelope e se retirou. O doutor rompeu o lacre e abriu o envelope. Um sorriso discreto irrompeu nos lábios. Os olhos se apertaram por detrás da armação de aro de tartaruga. Avisou a secretária que não estava para ninguém. Ele tirou o resto do dia para resolver questões particulares.

Nádia estava ao telefone, chorando, quando Nassib chegou. A mãe havia internado o pai. “A clínica tem que dar jeito no alcoolismo do João” a mãe murmurou com a voz cansada. Estava preocupada com o sumiço da filha. Nádia mente. Diz que está fazendo um curso, sete dias, aeromoça. A mãe vibra. Nádia só não sabia para onde iria voar. Exibiu as unhas vermelhas, perfeitas. Levantou o pezinho bem talhado e exibiu a sola lisa. Deixou que Nassib a encostasse nos lábios. As unhas vermelhas contrastaram a brancura dos pés. Nassib delirou. Sugou o dedão. Sentiu um choque lhe percorrer a espinha. Tinha novidades. Iria preparar Nádia para o doutor.

A negra era alta, magérrima. Parecia ter o rosto talhado a formão. Tamanha a força e beleza dos traços. Seu cabelo black-power realçava ainda mais o exotismo. A roupa de couro aderia ao corpo. Os braços longos e vigorosos não pareciam frágeis. O olhar era duro. Ela só abriu um sorriso quando viu Nádia, vendada, mãos amarradas, em pé, no centro da sala. Nassib estava dando um passo arriscado. Mas ele estava enfeitiçado. A escrava branca dos seus sonhos. O “fetiche” supremo. Os pezinhos pequenos e a pele alva que lhe doíam na alma. Não podia deixar que o doutor se lambuzasse sozinho neste melado. Ela poderia ser o seu pântano. Mas naquela noite ele decidiu afundar.

A negra se aproximou. Olhou. Girou ao redor. Nádia estava assustada. A negra tirou um chicote da bolsa e fustigou o ar. Encostou os lábios no ouvido de Nádia e começou a falar, baixinho. Nádia tremeu. A voz da negra era imperiosa. Ela deixou o cabo do chicote resvalar na bunda de Nádia. Afastou as nádegas lisinhas e deixou o cabo do chicote deslizar por entre as pernas de Nádia. A garota gemeu. Examinou os dentes. Em seguida, segurou Nádia pela mão e as duas foram ao encontro de Nassib. A negra ergueu o pé de Nádia. O levou até os lábios de Nassib. A língua de Nassib brincou entre os vãos dos dedos. A negra beijou Nádia. A primeira língua feminina a invadir aquele território. Nádia gostou de sentir os lábios carnudos da negra. Ela sentiu a língua comprida percorrer o céu da boca. Nassib apertou o pezinho contra o rosto. Êxtase. Uma lágrima escorreu. A negra e Nádia se afastaram. Ela deitou, delicadamente, a garota sobre um divã. Estalou com força a o chicote. Nádia se arrepiou. Sentia medo e uma mistura de sentimentos. A negra sussurrou algo no ouvido. Nádia se contorceu toda com o ritmo dos dedos. Gemia alto. Mesmo tendo as mãos amarradas tentou se erguer. A negra não arredava e tirou a roupa. Afastou as coxas e caiu de boca na vulva quente e melada. Nádia gozou forte. Se contorceu como se estivesse com o diabo no corpo. Nassib foi a loucura e como não podia tocar na mercadoria, fodeu a negra sobre o tapete. Estapeava e xingava. “Negra suja, achou que ia mandar no meu harém”. Ele só para quando gozou no cu da negra e a empurrou com um pontapé.

Para o encontro o doutor escolheu um terno begeo e uma gravata vermelha. Além das tradicionais abotoaduras de prata, colocou no coldre a Luger P08. O motorista apanhou mais três homens nas imediações do Palácio e partiu para a baixada do Glicério. O doutor e os homens só falavam em alemão. Três jovens fortes, loiros e que obedeciam ordens do doutor. O mais forte deles tinha os olhos escuros e frios.

Nassib estranhou os três homens que acompanhavam o doutor. O doutor abriu um sorriso e abraçou Nassib. Disse algo em alemão. Ordenou que os rapazes ficassem encostados na parede. Nassib trancou a porta e bateu palmas. Nádia surgiu. O doutor se ajeitou na poltrona. Nádia se aproximou e deixou que o doutor lhe examinasse os pés. Ele acariciou, lambeu e sugou o dedinho. Gostou do ar inocente e das coxas a mostra na fenda do vestido preto. “Reisse das Kleide” ele ordenou. Os três homens avançaram e agarraram Nádia. Nádia se apavorou e o mais forte deles lhe rasgou o vestido com força. Nassib ouvia tudo do quartinho ao lado da sala. O coração batia forte. O doutor berrou em alemão “Bestrafen”. Os três homens começaram a bater forte em Nádia. Ela gritava. Dois deles a seguraram e o mais forte desferiu uma sequência de bofetadas e xingamentos em alemão.

Cuspiu na boca de Nádia. Nassib não esperava tanta violência contra Nádia. Ele estava confuso. “Bring den Juden hierher” o doutor ordenou. Eles a arrastam até ele. O doutor se ergueu da poltrona. Sacou a Luger e enfioou o cano na boca de Nádia. Mandou que ela chupasse. Mandou os homens se despirem. Nádia tentou se desvencilhar. O doutor lhe deu uma coronhada no rosto. Ela desabou no chão. Os três homens partiram para cima. Ela lutava. Não iria se deixar currar por três homems. Eles a arrastaram pelos cabelos até o tablado.

Aluciando, Nassib saiu do quartinho e avançou contra os três. O doutor se espantou. Não era o combinado entre eles. Tudo era permitido. Nassib estava possesso. Puxou uma adaga otomana do cinto e riscou o mais alto deles na altura dos olhos. O homem deu um grito. O sangue jorrou. Nassib deu mais uma cutucada na costela e o homem caiu duro. Os outros dois partiram pra cima de Nassib. Ele sabia brigar. Não seria fácil dominá-lo. O mais jovem dos três teve o bucho furado. Caiu no chão e ficou se contorcendo. O mais forte conseguiu agarrar a lâmina. O doutor disparou. A bala atravessou o braço de Nassib. Ele encarou o doutor. Tinha os olhos injetados. As mãos e a túnica branca manchada de sangue. O mais forte conseguiu tirar a adaga das mãos de Nassib. Os dois se engalfinharam. Nassib impedia com as mãos que o homem cravasse a adaga em seu peito. O doutor não percebeu Nádia se aproximar. Estava inebriado com o cheiro de sangue e a violência. Tentou mirar em Nassib. Disparou. A bala atingiu a parede. Nádia cravou os dentes na orelha do doutor. Ele berrou. Ela continuou mordendo forte até sentir um pedaço da cartilagem se desprender do resto. O doutor conseguiu se virar e atirou. A bala atravessou as bochechas. Com muito esforço Nassib conseguiu reverter o jogo e enterrou a adaga no coração do homem. Ele caminhou até o doutor. Os dois se encararam. O abraço da morte. A adaga entrou fundo. Nassib estava possesso. Percebeu Nádia caída no chão. O rosto ensanguentado. Ele arrastou o corpo do doutor até a janela. Com esforço conseguiu abrir a janela. Ergueu com dificuldade o corpo do doutor. E mantendo uma tradição dos cortiços, despejou o lixo pela janela. 112 metros de queda livre.

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Até o fim

Uma coletânea de contos eróticos de João Gaone

Ganimedes XXI – Um conto de Orgia

A antiguidade clássica é cheia de raptos. Tem o de Zeus disfarçado de touro branco que arrasta Europa para a ilha de Creta. Tem o deus do submundo que arrasta Pérsefone para ser sua rainha nos quintos. E tem o mais cantado dos adolescentes, Ganimedes, que raptado por uma águia, mais uma vez o guloso Zeus, torna-se copeiro dos deuses. Mas o nosso Ganimedes em questão, atravessa a cidade num vagão de trem. Não vai pastorear ovelhas. Mas vai ao cinema assistir Tarkovski. Outro filme do diretor, “A infância de Ivan”. Dentro do vagão, ele se perde nos pensamentos enquanto o trem deixa o subúrbio para trás. É sábado. Noite. Lua cheia.

Do outro lado da Paulicéia desvairada. Três garotas a bordo de um Mercedes furam o sinal vermelho. Não estão nem aí. Estão chapadas e uma garrafa de Absolut quase no fim. Batem as asas negras. Aceleram a toda no túnel 9 de Julho. Estão a caça.

Fim da sessão de cinema. Sensação de ter mergulhado fundo. De ter entrado deprimido e saído pior. No fundo, gosta da sensação. Tão diferente da superficialidade que ele é obrigado a enfrentar no convívio diário. Ao sair do cinema, encanta-se pela mulher de cabelos vermelhos que segue a sua frente. Os dois trocaram olhares antes das luzes se apagarem e o projetor rodar. Não demora muito ela para diante de uma portinha estreita. O grandalhão abre um sorriso, abraça. Parece conhecê-la. Ganimedes abre a carteira. Tem o dinheiro para entrar. Resolve pagar e conferir. O grandalhão apalpa, aperta os bolsos do casaco e libera a entrada. Meia luz, música eletrônica tocando. Rostos pintados de branco e garotas de cabelos coloridos de aspecto soturno observam das mesas a figura estranha que se aproxima. Ele enxerga a mulher de cabelo vermelho no balcão do bar.

Ali dentro, Ganimedes começa a se sentir distante da repartição maldita onde faz estágio. Das fofocas, chistes e da mediocridade reinante em sua casa.

Longe do subúrbio onde os pais definham e os amigos desposam verdadeiras sirigaitas que só pensam em ser “madamas” do jardins.   

– Ei. Ei!

– É comigo?

– Você não estava no cinema? Tarkovski? A infância de Ivan?

– Eu mesmo. E você é a mulher de cabelos vermelhos.

Ela ri. Estende a mão cheia de anéis. Dedos finos e brancos feito porcelana.

– Prazer, Bianca.

– Ganimedes.

– Ganimedes? Ela arregala os olhos.

– Hum…

Sob a luz fraca da sala de projeção, Ganimedes não reparou no detalhe dos olhos. Bianca tem o olho esquerdo acinzentado e o direito de um verde esmeralda baço. Ganimedes acha exótico. E mais ainda quando ela cumprimenta uma garota com um beijo de língua.

– Estou esperando uma amiga, gostou do filme?

– Muito….mas saí triste.

– Normal…todos somos – Ela ri, dando um gole na bebida.

Bianca repara no corpo longilíneo, nos braços longos e no rosto que mais se assemelha ao do ator Nicolay Burlyaev. “Um garoto lindo. Sem dúvida” ela pensa.

– Aceita beber comigo? A mulher de cabelos vermelhos dispara.

– Seria uma boa ideia.

Os dois pegam a bebida e descem até o inferninho. O lugar onde fica a pista de dança.

As luzes piscam e os corpos em êxtase dançam, como se aquilo tudo fosse um sabbat em plena noite de lua cheia. Se acomodam no lounge. Ganimedes deixa a vista correr pelo lugar. Tudo aquilo é novo para ele. E quando volta a encarar os olhos de Bianca, sente vontade de compartilhar suas impressões sobre o filme. Quem sabe ela corresponda. Bianca gosta da timidez educada. Da maneira como curiosa como ele observa os garotos se beijarem e as garotas desinibidas se acariciarem. Bianca sabe que ele é um belo peixe fora da água naquele ambiente. Ouve com atenção e se deixa fascinar pela tristeza dos olhos e as palavras que saem daquela boca. As mãos delicadas e grandes. Os dedos longos. A pele rosada. Tem vontade de sentir o dedo médio dele na buceta. Um bixa rodeia. Faz volteios e cochicha algo no ouvido dela. Entrega dois comprimidos para Bianca e ri. Mede Ganimedes de cima a baixo e se apresenta estendendo a mão. As unhas coloridas chamam atenção de Ganimedes. Ele retribui o sorriso. O bixa sussurra algo na orelha dele. Ganimedes fica sem jeito. Bianca arrasta-o para a pista de dança.

A música tem quase um efeito hipnótico. Aos poucos Ganimedes se solta.

Esquece dos outros e permite que seus movimentos sejam insinuantes. Bianca gosta da troca. Sente uma energia forte. Sem dizer nada, encosta no corpo dele, esbarra o dorso da mão no pau dele. Sente a ereção. Alisa. Deixa que ele lhe envolva com os braços. Até as línguas se misturarem num beijo molhado e doce. Ganimedes delira. Os cabelos se agitam ao som da batida eletrônica. Faz tempo que Bianca não sente tanto tesão por um homem. Ganimedes pega o comprimido na ponta da língua dela. Está tão solto e animado que nem pergunta o que é. Mergulha. Deixa que a mulher de cabelos vermelhos lhe guie num mundo que é só dela. Bianca é sensual. Misteriosa. Deixa a ponta da língua passear na orelha dele. Pega na mão dele e chupa com a boca molhada o dedo médio. A música excita os corpos. Ganimedes coloca a mão por dentro da roupa dela. Sente os mamilos entre os dedos. O piercing. Ela geme baixinho.

Uma mulher envolve Bianca por trás. As duas se engatam numa dança sensual. Bianca beija a garota. Ganimedes fica sem jeito. A garota deixa a mão passear pelo corpo de Bianca. Até que outras duas se aproximam.

A mais alta delas, parece uma vampira. É possível perceber a palidez mesmo sob as luzes estroboscópicas. Ela se coloca entre as duas. A outra se aproxima de Ganimedes. Chega bem perto. Ele sente o hálito forte de bebida. A garota andrógina segura nas mãos dele. Repara no corpo sensual e na maneira como ele sente a música. Gosta dele. E, lentamente, vai se aproximando do rosto. Deixa a ponta da língua sentir o suor do rosto. Lambe. Percorre o contorno dos lábios e deixa que ele retribua sugando-lhe a língua. Um beijo demorado e quente. Ela aperta forte os colhões. Se aproveita. E só para quando as outras lhe envolvem. Bianca segura na mão de Ganimedes. Ele está atônito. Sente um energia incrível. Tem vontade de amar.

A vampira vai até o bar. As outras duas são irmãs. Gêmeas. Ganimedes fica surpreso. Bianca lhe apresenta.

“ Leona” “Laura” fazem uma reverência. Se divertem e sentam-se ao lado dele. Bianca tem as pupilas dilatadas. A vampira retorna, “Prazer Ingrid” se apresenta com uma garrafa de Absinto nas mãos.

Tem os cabelos loiros descorados e olhos escuros, profundos. Os lábios finos e os olhos bem rasgados. É pianista clássica, Bianca entrega. Os dedos finos e as mãos delicadas parecem terem saído de uma pintura renascentista. As unhas pretas realçam ainda mais o estilo vampira da mulher. Bianca conta sobre o cinema. Fala do filme e da sensibilidade de Ganimedes. “É a primeira vez dele por aqui” Bianca diz lançando um olhar zombeteiro. Uma das gêmeas se aproxima de Bianca. Tem os olhos vermelhos. Parece um garoto. Cochicha algo e as duas somem. A outra e a vampira sentem curiosidade em relação ao jovem bonito com nome de constelação. A vampira parece ser a mais velha e esparrama sensualidade na voz e nos gestos. Elegante. Percebe o desconforto de Ganimedes. Explica que Bianca é uma amiga de longa data. E a outra gêmea, rindo, diz que se ele beijar a Bianca terá de beijar todas. Ganimedes cora. A vampira lhe oferece absinto. Bianca e a outra gêmea, Laura, retornam do banheiro. Estão empolgadas. Querem voltar para a pista. Inferninho lotado. As outras três arrastam Ganimedes para a pista. A vampira vira a garrafa no gargalo. Chama Ganimedes só para si. Lhe diz no ouvido que Bianca gosta de ver. A língua fria entra na boca. Se enrosca na dele. Ganimedes sente medo.

Está fora de si. Aos poucos a realidade se transforma em um borrão denso. Vê as gêmeas se beijando. A vampira bolina os seios de Bianca. A pista de dança roda. Já estão lá há muito tempo. Ganimedes não sente o chão. Quando volta a si está no carro. No banco de trás do Mercedes. Está sentado entre Bianca e a vampira. Leona acelera. Laura acende um mesclado. Estão chapados demais. A música alta impede que ele ouça o que Bianca acaba de dizer. Não sabe ao certo onde está. A vampira abre a braguilha da calça. Começa a acariciar com as unhas compridas. Duro. Em riste, ela se abaixa e começa a chupar o pirulito. Laura ajeita o retrovisor. Assiste a amiga mamar no belo cacete. Ganimedes geme. Sente a língua de Bianca nos mamilos. Os testículos doem. Bianca vai abaixando e divide a felação com sua amiga. Leona solta um grito alto e pisa no freio. Um cachorro passa correndo na frente. A vampira não se abala. Mama. Deixa o pau bater na garganta. A cabeça de Ganimedes gira. Trinca os dentes. Quando a vampira levanta o rosto a boca está cheia de porra. Ela ergue o queixo da amiga, aperta os lábios, boca de peixe, e deixa o melado escorrer. As duas se beijam.

Ganimedes sente o coração bater com força. As pernas moles. O cacete de veias estufadas não esmorece.

– Pra onde estão me levando?

“Estamos te raptando Ganimedes” Leona encara o rosto assustado de Ganimedes pelo retrovisor.

O Mercedes entra na garagem. Ele não consegue localizar o lugar. Escuridão. Ganimedes sente medo. Está nas mãos de Bianca desde que entrou no inferninho. As gêmeas vão na frente com a Vampira. Bianca fica um pouco com Ganimedes na garagem. Abraça. Beija. Ajuda-o a se recompor. Está muito louca. Todos estão.

O apartamento é imenso. Tem um estilo estranho. Todo vermelho. Móveis escuros e antigos. Repleto de imagens sacras e uma enorme piano de cauda no meio da sala. Uma voz grave sai de um minúsculo aparelho de som. Bianca arrasta Ganimedes para um puff redondo, enorme, ao lado do janelão de vidro. Podem ver São Paulo lá de cima com suas luzes e o vai e vem das lanternas vermelhas minúsculas. Bianca tira lentamente a roupa. Fica nua. Tem os mamilos atravessados por piercings de prata.

Um pentagrama enorme nas costas e um olhar selvagem. As outras três assistem tudo do sofá branco. Em silêncio. Bianca monta em Ganimedes. A música de acordes graves que ele ouve é “The Systers of Mercy”. Ele não conhece. Nunca ouviu. Ao som da música Bianca se aproxima. Encosta o moicano vermelho na cara de Ganimedes. O cheiro da vulva invade a narina. Bianca se abaixa lentamente. Sente a boca quente dele. Depois a língua e uma leve sucção nos lábios. Ganimedes chupa a fruta. Sorve o líquido e deixa o sabor metálico que ele tem na boca transportá-lo para outro mundo.

As gêmeas se beijam. A vampira, impassível, assiste com um sorriso discreto nos lábios. Ver o corpo bem-feito de Bianca, os cabelos vermelhos, e a forma como ela se entrega lhe enche de satisfação. Bianca mata a vontade. O dedo médio grande de Ganimedes é mágico. Entra e sai freneticamente. Ela segura. Não quer gozar. Amolece. Vira os olhos.

As três se reúnem ao redor do casal e a vampira comanda a putaria. Chicoteia umas das gêmeas. Torce os mamilos duros de Bianca. E não satisfeita avança sobre Ganimedes. A pele branca toda tatuada contrasta com os cabelos descorados e os lábios pintados de preto. Ela monta e cavalga.

Cospe na cara dele. Ela é quem manda. Senta forte. Geme rouco. Ganimedes é só um touro de testículos grandes. A vampira ordena que ele se vire. Vai lhe ensinar as delícias do beijo grego. Mas antes lhe puxa os cabelos e morde as orelhas. A bunda lisa e perfeita. A vampira alisa. Encosta os mamilos na bunda quente. Esfrega. Deixa a língua brincar entre as coxas. Ganimedes se contorce. Leona amarra-lhe os pés com a calcinha. Depois as mãos com a calcinha de Bianca. A língua da vampira acaricia o anus escuro e rosado. Tem planos para o cu dele. Se diverte um pouco e deixa que Laura sinta o pau duro do rapaz.

Ganimedes é seviciado. Goza na buceta das três feito um garanhão reprodutor. Deixa a porra escorrer na boca de Bianca. Assiste as irmãs atracadas no chão. Se esfregam uma na outra e se amam com sofreguidão. Bianca coloca um strap on. A pica de borracha enorme, vermelha, assusta. Primeiro possui a vampira. As duas lutam. A vampira resiste. Mas Bianca enfia tudo. A vampira ergue o corpo. Revira os olhos. Bianca mete com força. É o macho da relação. A vampira toma uma surra. Leona quer que Ganimedes a chupe. Implora. Pede a Bianca permissão.

Bianca nega e pede que tragam Ganimedes até o centro da sala. As quatro avançam sobre a presa. O derrubam. Saltam sobre ele feito lobas famintas. Bianca cavalga. Bate a bunda com força nas coxas dele.

Leona abre as pernas sobre a cabeça dele e deixa que ele prove do seu melaço. A vampira e Laura chupam os dedos das mãos. Depois judiam dos pés com a língua. Ganimedes explode. Jorra esperma dentro de Bianca. Tudo fica branco e ele sente o chão abrir. Sem forças, ele se entrega e a vampira abusa. Come o cu de Ganimedes. Ele grita. A vampira mete fundo o cacete vermelho de borracha. As outras assistem. O apartamento cheira a sexo. Laura volta com um cachimbo de jade e marfim. Preparam algo nele. Deitado no tapete, Ganimedes tenta se recompor. A cabeça gira. Bianca massageia suas costas. Deixa as unhas dela percorrerem as pernas até as solas dos pés. Laura se aproxima. Entrega o cachimbo. Leona acende e logo uma fumaça adocicada se desprende da fornalha. Doce e inebriante. Ganimedes se engasga com a primeira tragada. Bianca o ajuda. Pede que ele solte a fumaça na boca dela. Ganimedes dá uma segunda tragada ainda mais lenta.

As gêmeas são atléticas e a aparência andrógina que elas possuem conferem um aspecto ainda mais sinistro ao que elas fazem. Ganimedes sente que afunda na escuridão. Não consegue falar. Ouve a voz da mãe. A voz doce e aveludada da infância. Não entende o que se passa dentro dele. Agonia.

As quatro se aproximam. Já não se parecem fêmeas humanas mas lobas selvagens. Comunicam-se pelas expressões faciais. Rodeiam a presa como os lobos. Se aproximam do corpo longilíneo. Ganimedes sente um frio na espinha. Elas são do tipo que não podem ser domesticadas jamais. Não como a sua mãe. A vampira o arrasta. Ganimedes não consegue reagir. Montam sobre ele. Mordem. Batem. Mijam. Leona abre a boca. Ganimedes pode ver as presas de vampiro. Ela avança sobre ele. Morde o pescoço. Um filete de sangue escorre. As outras atacam. Lambem o sangue. Ganimedes não reage. Não conseguiria. Sente dor. Prazer. Leona dá outra mordida. Forte. Deixa a presa entrar na carne. A bunda lisa e perfeita sangra. Elas se fartam do sangue. A vampira uiva. Lambuza o rosto de sangue. Deixa que as outras se afastem. Monta sobre o corpo de Ganimedes. Se esfrega. Com ajuda da mão introduz o caralho na buceta. Senta com força. Rebola.

E antes de gozar, revira os olhos e crava mais uma vez os dentes no pescoço de Ganimedes. Dá a última mordida. O sangue escorre quente e inebriante. Ganimedes apaga. O festim acaba.

Ao contrário do Ganimedes da mitologia que foi recompensado, transformado em constelação, nosso Ganimedes desperta no vale do Anhangabaú. Sua figura atrai olhares curiosos. Está com a camisa rasgada e os pés descalços. Sujo de sangue e parece ter passado a noite na esbórnia. Um policial se aproxima. Os dois trocam algumas palavras. Mas ele não sabe explicar o que aconteceu.

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Mais do que simples erotismo, João Gaone narra histórias do mundo cão. Nesta antologia de contos estão presentes onze histórias protagonizadas pelos mais variados personagens. O seminarista, a chefe de cozinha, o jovem que é vítima da própria beleza, o motorista de madame e o cafajeste transitam pelas paisagens de São Paulo, mas poderiam estar nas praças, casas, hotéis e escolas de qualquer cidade. Nestes contos eróticos, a escrita de João Ganeo, marcada pela força e observação do cotidiano, vem carregada de sangue, suor e esperma.

O autor disponibilizou 10 contos no Wattpad. Em breve estará na Amazon uma versão com 13 contos. Esperamos receber um feedback dos leitores. Obrigado e boa leitura.

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O Mal de Caravaggio

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Já está em pré-venda no site da Amazon o romance policial/Noir “O Mal de Caravaggio” de Marcel Pinie.

O tranquilo falsificador Janus é procurado por Hèléne, uma mulher inescrupulosa e misteriosa. Inicialmente, o plano é falsificar um Caravaggio, destruído durante a segunda guerra. Mas logos as coisas saem do previsto, e ele se vê enterrado até o pescoço em uma violenta enrascada. A paixão por Hèléne e a morte de seu melhor amigo em circunstâncias misteriosas, vão levá-los a uma fuga desenfreada. Num plano que envolve fraudes, traições e personagens de moral vacilante, eles irão descobrir que a beleza cobra um preço alto das paixões humanas.

“São Mateus e o Anjo” – Quadro de Caravaggio, pintado em 1602, desaparecido durante a invasão de Berlim pelas tropas russas.
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Guias para reconhecimento de Marcas de Porcelana de Sèvres e Meissen

Muitas vezes reconhecer uma marca de porcelana, o período ou até mesmo se trata-se de uma peça verdadeira ou falsa, exige tempo e material especializado; geralmente livros e catálogos. No caso do Brasil a dificuldade é ainda maior. Há poucos livros traduzidos em português e os preços chegam a ser proibitivos. Com a internet, facilitou-se e muito esta busca. Entretanto, há uma lacuna no mercado editorial brasileiro e encontrar livros sobre antiguidades e colecionismo ainda é tarefa árdua.

A Nogueira Editorial está lançando, no site da Amazon, dois e-books que podem ajudar, e muito, colecionadores e antiquários. Trata-se dos e-books:

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