Porcelana de Sevres – parte l

marcasevres

A porcelana de SEVRES é muito cobiçada pelos colecionadores e decoradores. Entretanto, existem “lendas”, causos e muita teoria a respeito de sua origem. O intuito do BLOG é desmistificar e apresentar ao leitor as marcas e como identificar as falcatruas que andam por ai, mundo afora, assombrando o mercado e os incautos que adoram uma “pechincha”. Mas vamos lá….isso é uma outra história.

Era uma vez dois irmãos, os Dubois, que iniciaram a produção de “pasta mole” em sua fabriqueta de porcelanas. Produziamflores decorativas na cidade  de Vincennes, em 1738. Encorajados pela Madame de Pompadour, a fabriqueta passou a  produzir peças para o requintado Louis XV. Em 1753 o rei passou a ter o controle total da pequena manufatura e das demais fabricas de porcelana na França. É durante o seu reinado que aparece o famos “L” entrelaçado e que significa a participação do Rei na produção das porcelanas. Em 1765 a fabrica muda-se para SEVRES, sob o olhar atento da Madame de Pompadour. A porcelana de pasta mole (soft paste) passa a ser elaborada no melhor estilo oriental e rococó da época. Após 1760 a porcela de pasta dura (hard paste) passa a substituir a pasta mole. Portanto antes de 1760 não existe “SEVRES” produzido com HARD PASTE (pasta dura).

O periodo de 1753 a 1763 fica conhecido como Pompadour, 1763 a 1786 como Louis XV e 1786 a 1793 como Louis XVI.  Atente para o seguinte fato: a douração e o uso de cores fortes estavam reservados para projetos especiais. As cores azul escuro, e o azul claro chamado “agata” e o verde cromo são as cores mais frequentes no periodo do primeiro império, 1804 até 1815. No século XIX há tentativas de se copiar as peças do sec XVIII, mas apresentam uma maior douração e decoração duvidosa. A leveza e beleza do periodo do XVIII não é alcançada nas tentativas do sec XIX.

O primeiro fundo utilizado nas peças “SEVRES” era o “Gros Bleu” (1749) seguido pelo celeste (turquesa, 1752), o rosa pompadour(1756) e o azul real (1763). O uso destas cores durante estas especificas datas ajudam a datar as peças de Sevres. Portanto, veja, que o rosa pompadour é rarissimo e praticamente  impossivel ser encontrado em antiquarios e lojas de decoração em nossos dias. Desconfie com a oferta e excesso destas peças na praça. Tratam-se de peças raras e que estão, hoje, em sua maioria em museus e colecionadores internacionais. Entre 1800 e 1830 foram produzidas placas, vasos, serviços de mesa, esculturas e uma vasta variedade de peças especiais. Muitas no estilo neo-classico e imatação de cameos.

Manha para reconhecer SEVRES:  Uma alta percentagem das peças com a marca “SEVRES” são falsas ou questionaveis. Existem alguns detalhes que precisam ser observados para se estabelecer a autenticidade de um SEVRES. As peças do século XIX, por exemplo, tinham mais decoração e mais ouro do que as peças do século XVIII. Os SEVRES nunca foram marcados na tampa. A marca na tampa indica peça falsa. Dicas de Susan e Al Bagdade, autores do warman’s e consultores da Sotheby’s.

A MARCA SAMSON

A marca samson  existiu de 1845 até 1964. Muito SEVRES vendido nas praças do mundo são desta marca. Repare a semelhança da marca com o “L” entrelaçado da SEVRES. A Samson fazia réplicas de famosas manufaturas, entre elas a SEVRES. Em sua maioria, as peças eram feitas em pasta mole (soft paste). Edme Samson iniciou sua fabrica em Paris, até 1873 ele decorava porcelanas de outras fabricas. Suas peças eram decoradas e traziam a marca das fabricas originais.

A samson produziu cerca de 20.000 peças de meissen, sevres, chelsea, capodimonte, chinesa e porcelana japonesa. Portanto, muita coisa vendida como original nada mais é do que SAMSON. Decorada e marcada como as originais. A Samson operou até 1946 quando Richarchere fechou a produção da marca. De 1845 até 1905 marcas originais eram copiadas e imitadas em diversas peças criadas pela samson. A companhia registrou sua marca em algumas peças após 1900 e usaram a marca sob glazura após 1905

Alerta: Marcas sobre verniz podem ser removidas com facilidade. Há muitas peças Samson que após terem removidas a marca sobre o verniz apresentam a marca original “samson”.

Por isso….vale a pena pesquisar e aprender sobre este fascinante mundo das antiguidades.

9 comentários sobre “Porcelana de Sevres – parte l

    1. Ola Antonio Ricardo:
      Pesquisando um pouco não encontrei informação a respeito. Como a Sevres começa sua produção no sec XVIII, sempre com o “L” não acredito que haja peças sem esta marca. Também não encontro registros de que a manufatura de Sevres tenha produzido peças sem a marca em algum momento da sua historia. Você pode obter maiores informações no site da Christie’s.
      Obrigado pela visita.

  1. Comprei um biscuit com o carimbo de sévres ou seja , dois “L” entrelaçados , percebi com a lupa que a parte superior do símbolo está pouco apagada parecendo ter sido comida pelo tempo , observei também uma numeração em baixo relevo no canto da base e uma assinatura dourada que ainda não consegui decifrar pois também está deteriorada. Pergunto se uma peça original pode ter estas características?

    1. Sim..é bem provavel. Pode ser uma peça do inicio do século XX. Se for no estilo noveau é uma caracteristica bastante peculiar. Obrigado pela visita.

    1. Estamos tentando colocar o maximo de marcas. Na próxima semana estaremos enfocando “Limoges”. Na realidade “Limoges” é uma região e não uma marca “oficial” de porcelana ou faiança. Obrigado pela visita.

  2. Observo seu blog todos os dias , ansioso pelas marcas Limoges. Aproveito a oportunidade para perguntar se existe azul pombinho fabricado na China ?

  3. Encontrei uma caixa pra vender que se diz de sevres. Gostaria de saber da possibilidade de sua autenticidade. Ela tem dobradiças e tampa, em azul turquesa e pintura dourada. aproximadamente 10 cm de largura. Ao fundo da caixa, um símbolo de sevres simples, o L duplo sem nada ao fundo. Deduzi que a peça não é autêntica pelo preço, de 225 euros. Segundo o antiquário, ela foi adquirida junto com duas outras num leilão na região do alentejo. Ahh, outro detalhe: a caixa é forrada com tecido muito desgastado e antigo, levemente acolchoada.
    Agradeço qualquer dica.

    Manuela Moura

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