Falta de Livrarias e leitores! Até quando?

Paraná é potente, mas carente

Associação Nacional das Livrarias divulga pesquisa sobre o setor e os dados mostram que o estado precisaria de pelo menos o dobro de pontos de venda, que atualmente são 178.

Publicado em 28/07/2010 | Marcio Renato dos Santos

O Brasil, que hoje tem 2.980 livrarias, precisa de pelo menos mais 2.980. Quem afirma é Vitor Tavares, presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL), entidade composta por 800 associados, que na manhã de ontem divulgou o Diagnóstico do Setor Livreiro, uma radiografia da situação desse mercado que, atualmente, também comercializa outros produtos. A pesquisa mostra algumas contradições, que dizem muito sobre o país. “Há cada vez mais livrarias sendo inauguradas em grandes centros, mas, em cidades de até 80 mil habitantes, muitas vezes, não há nenhum ponto de venda”, afirma Tavares, também proprietário das Livrarias Loyola, hoje com três lojas na capital paulistana.

Daniel Derevecki / Gazeta do Povo

Daniel Derevecki / Gazeta do Povo / Livros infantis e juvenis estão entre os mais comercializados do país Ampliar imagem

Livros infantis e juvenis estão entre os mais comercializados do país

Raio X

Saiba mais sobre a pesquisa Diagnóstico do Setor Livreiro, realizada pela Associação Nacional de Livrarias (ANL):

Metodologia

A Associação Nacional de Livrarias (ANL) delimitou um universo de 2.980 livrarias (número total de pontos de venda reconhecidos pela entidade no país) e definiu uma amostragem de 739 estabelecimentos.

Pequenos

De acordo com a pesquisa, 63% das livrarias são grupos que possuem apenas uma loja. Os grupos que possuem de 101 a 200 lojas não passam de 6%.

Temas

Entre os grupos com apenas uma loja, os livros mais vendidos são de literatura geral (25%), religiosos (18%) e didáticos (14%). A situação é muito parecida entre os grupos com duas lojas, em que vende-se mais literatura geral (29%), didáticos (23%) e religiosos/direito e usados (12%).

Além de livros

Nas livrarias brasileiras, com exceção dos livros, os produtos mais procurados são CDs e DVDs (54%), material de papelaria (34%), artigos religiosos (32%) e presentes (31%).

O livreiro aponta ainda para um fato que costuma se repetir em diversos segmentos comerciais: 60% do faturamento do mercado de livros está concentrado nas grandes redes.

O Paraná, quinto estado com mais livrarias no Brasil – são 178 –, teve um aumento de 15% para 19%, no que diz respeito à quantidade de livrarias. Mas, na avaliação de Tavares, a situação paranaense está distante do ideal. Afinal, o Paraná, com os seus 10 milhões de habitantes, tem uma média de uma livraria para cada 60 mil habitantes, e a Unesco recomenda que a proporção seja de uma livraria para cada 30 mil habitantes.

“O Paraná é um bom mercado, com ótimo potencial, mas ainda é carente de livrarias. Mas, analisando a pesquisa, nenhum estado tem um bom índice, apenas os com pequena população, como Roraima e Acre, mas daí a média não é real”, afirma.

Ele acredita que a situação, não apenas paranaense, mas brasileira, só pode se modificar se houver incentivo do governo federal. Porque, explica o livreiro, vender livro não é um comércio comum. “O livro requer dedicação, conhecimento e sutileza”, conta. Ele lembra que o giro nas livrarias é lento, diferente de um supermercado, que em um final de semana pode liquidar um estoque inteiro. “Na livraria, há títulos que podem levar um ano para vender. A lógica é outra”, conta.

Tavares chama a atenção para outro problema que precisa ser resolvido, a partir dos dados da pesquisa. Mais de 50% das livrarias brasileiras ainda não estão informatizadas, o que se reflete em queda de vendas. “Quem não aderir à tecnologia vai perder terreno e pode até fechar”, comenta.

Repercussão local

O diretor da Livrarias Curitiba, Marcos Pedri, sabe, pela experiência, que os dados da pesquisa da ANL se refletem em seu própria negócio. Em 2006, quando foi feito o levantamento anterior, o grupo tinha 13 lojas. Hoje, são 17 unidades, um aumento de 30%. Os planos preveem a abertura de duas novas lojas por ano, o que vai permitir uma expansão pelo interior do estado.

Pedri confirma que, além dos livros, CDs e DVDs, artigos apontados pela pesquisa como os itens mais vendidos em livrarias, têm muita procura nas lojas do grupo. Ele lembra que, como acontece em muitos pontos de venda de livro no Brasil, uma saída é comercializar ingressos para inúmeros shows e promover eventos. “Promovemos mais de mil eventos culturais gratuitos por ano, tais como lançamento de livros, pocket shows, exposições, palestras, debates, clubes de conversação de idiomas, entre outras ações”, comenta.

O diretor confirma ainda outra percepção da pesquisa da ANL: o potencial que representam os atuais pequenos leitores. Entre os livros mais comercializados no Brasil figuram, com 74% e 69%, respectivamente, livros infantis e juvenis. Pedri conta que a literatura infanto-juvenil está entre as mais vendidas pelo grupo. “O incentivo da leitura entre as crianças é uma necessidade cada vez maior e o estímulo se torna importante desde pequeno pela parte dos pais, escolas e também pelas livrarias. As crianças precisam ser educadas e orientadas para, no futuro, votarem com consciência e defenderem seus ideais. Mais do que futuros eventuais clientes, futuros leitores ajudam no progresso do país”, conclui.

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