Marfim – Peças antigas – Como reconhecer

Falar de Marfim é falar estritamente do material que compõe a presa do elefante. O que acontece é que com o passar dos tempos e a popularização deste material, muita coisa tem passado por“marfim” sem ser MARFIM. Alguns exemplos de materiais semelhantes são o osso, o dente de morsa, o marfim vegetal e os recentes “plasticos” made in China. Com a expansão comercial europeia até o dente de hipopotamo, narval e morsa foram incluidos na categoria “Marfim”. Porém, apenas a presa do elefante é MARFIM. Isto não significa que os demais não tenham seu valor artistico e comercial. Aqui no Brasil é comum as pessoas depreciarem belas peças feitas de osso. Pura ignorância. Pois estas peças alcançam alto valor comercial na Europa e na Asia. As peças de Marfim produzidas na europa nos séculos XII até XVII tendem a ser muito detalhadas e elaboradas. Rica em detalhes. Principalmente a tematica religiosa tende a ser a mais encontrada. Na Asia, mais precisamente no Japão, da metade do século XIX, é possivel constatar a maestria e a técnica apurada utilizada pelos japoneses. Produzindo peças de alto valor artistico. Modelos de animais, figuras humanas e representação da vida doméstica. É comum encontrarmos netsukes nos antiquarios do Brasil assim como peças que representam figuras humanas em atividades cotidianas, feitas no Japão e geralmente assinadas. Também não podemos ignorar a produção europeia que mistura o Marfim e o Ambar, o Marfim e a prata numa unica peça. Mas isto é assunto para futuros posts. O tema é bastante complexo e aborda diversos estilos e épocas. Para isso recomendamos alguns livros como o “Ambre, Avori, Lacche, Cere” de Kirsten Aschengreen, que tratam do Marfim na Europa. Também não podemos deixar de mencionar o uso do Marfim em GOA. Goa na metade do século XVI tornou-se um centro de produção de imagens religiosas, especialmente a Virgem e o menino.

Algumas dicas para reconhecer o MARFIM:

1º – O Marfim possue em sua estrutura raias ou riscos – estes riscos devem se cruzar formando uma grade

2º – O osso e outros materiais possuem estas raias ou riscos porém elas correm paralelas e não formam a grade

3º – Esquente a ponta de um alfinete e encoste na peça. Faça isso na parte inferior da peça, na base. Se não for Marfim o alfinete penetrara na peça. No Marfim não acontece isso.

4ª – Com relação a coloração é possivel identificar a antiguidade do marfim, porém esta não é uma tarefa facil. A coloração pode ser falseada mesmo nas peças originais.

 

Para casos mais complicados, hoje, utiliza-se a analise espectografica para se diferenciar Marfim de osso. No Museu de Arte e Ciência da Italia é comum o uso do fogo para reconhecer o Marfim. Na foto abaixo vemos a presença de um pequeno maçarico esquentando uma ponta de metal. Teste realizado no Museu de arte e ciência da Italia. Indicamos aos leitores o site www.internationalivorysociety.com – site da sociedade internacional do Marfim. Há belissimas peças e artigos de especialistas e colecionadores de marfim. É o site utilizado pelas principais casas de leilão para estudo e pesquisa das peças de Marfim. Também não se esqueça de pesquisar muito. Leia, pesquise nos sites internacionais e visite os museus para treinar o olho e a sua sensibilidade.

 

9 comentários sobre “Marfim – Peças antigas – Como reconhecer

  1. Que bom saber que ainda existe propaganda do uso do marfim,nem mesmos os trabalhos antigos deveriam ser mencionados, pois cada imagem de santo foi preciso morrer um elefante, é preciso tirar vidas para os santos humanos terem seus amuletos da sorte…..porem a arte não pode ser julgada…..eu também quero meu marfim autêntico…dessa forma terei meu lugar no céu…..

    1. Nosso objetivo é divulgar temas referentes a antiguidades, livros e etc. Peças anteriores ao seculo XVIII dificilmente causavam a mortandade de elefantes. Até porque, os cemitérios de elefantes, sempre estavam cheios de presas. Pesquise mais e entenda esta questão sobre outros pontos de vista. É puro desconhecimento, historico, comentar o tema apenas sob o ponto de vista religioso e protecionista. Eu particularmente sou contra a caça de qualquer espécie. Entenda também que muitas peças antigas foram feitas com a presa do mamute….bastante encontrado, até inicio do sec XIX, na Asia e em regiões da europa. E os mamutes já estavam extintos a milhares de anos……obrigado pela visita!

  2. Olha eu gostei muito de poder aprender um pouquinho sobre o assunto, digo um pouquinho não pela sua explicação e sim por mim,demoro um pouco até aprender. mas julguei ser muito importante tais esclarecimentos.
    e muito obrigada .Eu vou procurar me informar melhor a respeito de umas peças que tenho aqui, são uns colares, não sei ainda se são marfim, vou usar o alfine e observar os riscos.Grata
    Neide

  3. Estou tentando conhecer um pouco mais sobre o marfim e achei muito interessante o trabalho de vocês, tenho uma duvida e me desculpe minha ignorância, estive em um antiquário e apreciando uma peça muito bonita, que me informaram não se tratar de marfim e sim marfinite, que seria os resíduos de pó que sobravam do marfim. isso é verdade…

    1. Olá Freitas:

      Estas peças não tem nada haver com o marfim de elefante. São peças artificiais. Não
      suportam o calor. Há diversas peças neste material sendo feitas na China e até mesmo
      no Japão. Assemelham-se as peças de resina.

      Obrigado.

  4. Olá eu tenho várias peças de Marfim Africano e gostaria de vende-las, existe alguma galeria de arte no Brasil que venha a se interessar pelas peças?

    1. Ola Bianca:

      Existem varios antiquarios no Brasil. Aconselho voce a fazer uma pesquisa na sua cidade e pedir uma avaliação. Obrigado pela visita.

    1. O primeiro passo é fotografar e procurar uma lista de antiquarios em sua cidade ou País. Através
      das fotos será possivel fazer uma avaliação. Obrigado pela visita.

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