Algumas notas sobre livros e caracteres – Parte I

       O primeiro livro foi feito por Gutemberg, há quinhentos anos, com caracteres e impresso numa rude prensa de braço, saiu acabada obra-prima, que em seguida bastou ser imitada. Tudo o que veio depois não passou de aperfeiçoamentos acessórios e meios de mais rápida vulgarização. Por isso se disse que o livro merecia a divisa: Nascendo maturus, maduro ao nascer. A arquitetura do livro de hoje não difere da do livro de ontem. Os materiais principais empregados na sua construção são ainda os tipos soltos, ou lingotes de linotipos; a tinta pastosa e oleosa com que se impregnam os rolos dos prelos; o papel de fibras vegetais feltradas, fabricado manualmente ou a máquina, e o couro, o papelão, o pano, para encadernações. Os formatos que variam ordinariamente de acordo com os submúltiplos dos tipos AA e BB, adotados como padrões pelos nossos fabricantes de papel, são quase os mesmos de antanho. Não obstante os estupendos aperfeiçoamentos técnicos da Tipografia, os livros que hoje se imprimem não são mais belos que os da primeira metade do século dezesseis, quando os grandes artistas do livro, como o francês Geoffroy Tory à frente, tomaram por modelos as lições do italiano Segismundo Fanti sobre as proporções matemáticas dos caracteres de imprensa. Desde então a letra romana de Jenson, Elzevir, Caslon, Bodoni ou Baskerville e a itálica de Aldo Manúcio ou de Froben não foram suplantadas por quaisquer outras fontes modernas. Os modernissimos caracteres Futura, que dominam desde 1928 a tipografia atual, são a pura reprodução, um pouco menos severa, da mais simples e legível de todas as letras, a Antiqua, de Mánucio; e o impecável Times Roman, modelo de ligibilidade, desenhado em 1931, sob a orientação de um grupo oculistas, para The Times e agora largamente usado, não é mais perfeito que o romano de Jenson (1470) ou de Caslon (1726). E assim, desde Gutemberg, os livros continuam sua sina. Ensinando, servindo como terapia, dialogando com a alma e retendo o saber adquirido ao longo da historia da humanidade. Em breve publicaremos um Post sobre livros exóticos e curiosos.

Boa leitura!

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