História das editoras no Brasil

Para Monteiro Lobato editar seus livros, a saída foi recorrer a donos de bancas e jornal, mercearias, farmácias e papelarias. Os comerciantes aderiram e o escritor-editor conseguiu ampliar para dois mil o número de pontos de distribuição em todo o Brasil- antes esse número era de pouco mais de 20 livrarias concentradas no eixo Rio- São Paulo. O empreendedorismo de Lobato é um dos marcos que delineiam a historia das editorias brasileiras. Fatos como esse apontam para um caminho hoje amplo de editoras em todas as regiões do país, bem como de pontos de vendas, o que permite uma aproximação maior do livro com seu público do leitor.  As principais editoras brasileiras permanecem concentradas no eixo Rio- São Paulo. Para entender essa questão, é necessário fazer um resgate histórico: A indústria editorial brasileira é uma das dez maiores do mundo. Iniciou sua história com a vinda da família real ao Brasil, em 1808, que trazia na bagagem, além da Biblioteca Real, um prelo de madeira de fabricação inglesa, com o qual D. João VI ordenou a instalação da Impressão Régia, encarregada de tornar públicos os documentos oficiais do reino. Dessas mesmas oficinas saíram o primeiro jornal impresso do Brasil, A Gazeta do Rio de Janeiro (1808), e a primeira obra de literatura, Marília de Dirceu (1810)de Tomás Antonio Gonzaga. Até então, era proibida qualquer atividade editorial no Brasil- Colônia, para que a circulação de idéias e  opiniões não pusesse em risco o domínio existente. Revogada a proibição de imprimir, multiplicaram-se os pequenos jornais, revistas e livros. Nos primeiros anos do século XIX o Brasil vivia um momento de idolatria da cidade Paris, considerada a capital da modernidade. Essa reverência à cultura francesa chamou atenção de alguns editores franceses, com destaque para os proprietários das editoras Garnier e Laemmert,  duas das principais editoras brasileiras naquele período. A primeira foi fundada em 1833com o nome de Livraria Universal, somente após alguns anos, já com status de editora, ficou conhecida por Typographia Universal. Considerada a principal responsável pelo desenvolvimento literário do país, a livraria Garnier foi fundada em 1844 pelo francês Baptist Louis Garnier, o primeiro a perceber a diferença entre edição e impressão e afirmar que ambas deveriam existir de maneira independente. Conhecido pela avareza e exigência profissional, Baptist transformou, com muito trabalho, a livraria Garnier em referência no Rio de Janeiro. Investiu maciçamente em literatura européia e nacional, tendo em sua lista de publicações, escritores como Charles Diekens, Walter Scott e Oscar Wilde. Mesmo evitando lançar autores desconhecidos, editou obras da maioria dos romancistas do seu tempo: José de Alencar, Graça Aranha, Gonçalves Dias, Alvares de Azevedo, Joaquim Nabuco, Olavo Bilac, José Veríssimo, dentre muitos outros. Baptist Louis Garnier foi também o primeiro e principal editor dos livros de Machado de Assis; Famosos pela tipografia e as capas vermelhas com letras douradas.  Nem a Garnier nem a Laemmert resistiram ao século XX. A Garnier fechou sua área editorial em 1934, cedendo à depressão. A Universal fechou mais cedo, em 1909, após um grande incêndio que destruiu a biblioteca e os arquivos.   Os autores modernistras, principalmente os chamados do Ciclo do Nordeste , encontraram abrigo com um editor: José Olympio. Para sua livraria, no Rio de janeiro, iam todos que sonhavam ver seus escritos em letra de imprensa. O desejo de Lobato de ver o livro como instrumento de pensamento e difusão da cultura da nação começa a se tornar realidade. As coleções de José Olympio e da Companhia Editora Nacional  realizaram empreendimentos históricos no ramo editorial brasileiro. A livraria José Olympio Editora reunia nomes como Graciliano Ramos, Jorge Amado, Portinari, José Lins do Rego, Sergio Buarque de Holanda, Gilberto freire, Carlos Drummond de Andrade, Rachel de Queiroz e muitos outros que debatiam diariamente questões nacionais. No próximo post trataremos do periodo moderno e suas editoras.

Fonte de pesquisa: “O livro no Brasil: uma perspectiva histórica das editoras brasileiras – Rose Edite da Silveira Rocha.

 

Boa leitura.

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