Moebius – 10/03/2012

Moebius

O grande desenhista Jean Giraud, mundialmente conhecido como Moebius, faleceu em 10 de março de 2012, num hospital em Paris, na França. A informação de sua morte foi divulgada inicialmente pela rádio francesa Europe 1 e confirmada por sua esposa, Isabelle, e sua filha, Nausicaä. Giraud tinha 73 anos e estava internado à uma semana fazendo um tratamento para eliminar câncer, contra o qual lutava há bastante tempo. Jean Henri Gaston Giraud nasceu em 8 de maio de 1938, em Nogent-sur-Marne, uma cidade nos arredores de Paris. Sua mãe incentivou seu lado artístico desde cedo, matriculando-o ainda pequeno na escola ABC, cujo currículo dava grande importância para a alfabetização e para o desenho. Ele já se interessava pelos desenhos desde menino, particularmente as histórias de faroeste, que era um de seus assuntos prediletos. Sua carreira com quadrinhos e ilustração começou em 1954, aos 16 anos, quando Giraud entrou na Escola de Artes Aplicadas de Paris (École des arts appliqués de Paris). O jovem artista passou, então a publicar alguns desenhos na revista Fiction – revista de ficção científica francesa que circulou entre 1958 e 1990 e da qual era leitor desde os 14 anos. Sua primeira história foi vendida quando tinha 15 anos, para o renomado escritor, desenhista e editor de quadrinhos francês, Marijac (pseudônimo de Jacques Dumas). Em 1956, Giraud tinha 18 anos e ainda não estava dedicado somente aos quadrinhos. Ele pretendia trabalhar com ilustrações para publicidade e moda.

Moebius

A primeira HQ de Giraud, Frank et Jérémie, saiu na revista mensal Far-West, nas edições 10 a 17, distribuídas entre fevereiro e julho de 1956. Outras histórias deste período inicial saíram nos títulos Sitting Bull, Fripounet et Marisette, Âmes Vaillants (Juanita, de 1958) e Coeurs Vaillants. Sobre o começo de sua carreira, Giraud declarou numa entrevista à agência de notícias AFP, que sempre foi muito ambicioso, e que queria impressionar a todos e ser uma grande artista dos quadrinhos. Por volta de 1958, quando conheceu o legendário desenhista belga Jijé (pseudônimo de Joseph Gillain), Giraud já havia decidido se dedicar completamente aos quadrinhos, mas seus planos foram interrompidos por alguns anos. Ele morou durante nove meses no México, com sua mãe. Depois disso, cumpriu o serviço militar primeiro como um Chasseurs (uma espécie de soldado da infantaria francesa) aquartelado com seu batalhão na Alemanha – nesta época, no auge da guerra fria, a França, a Inglaterra e os Estados Unidos possuíam bases e unidades militares instaladas na Alemanha Ocidental. Em seguida, serviu com sua unidade na Argélia, que na época era uma colônia francesa com um aguerrido movimento de independência. Enquanto estava na Argélia, Giraud colaborou com a revista militar 5/5 Forces Françaises, fazendo ilustrações e algumas raras HQs. De volta à França, em 1961, Giraud publicou alguns roteiros num fascículo da revista publicitária Bonux Boy. No mesmo ano passou a trabalhar diretamente com Jijé, que o recrutou como seu assistente numa das aventuras de Jerry Spring. Jerry Spring é um personagem de grande relevância tanto para a HQ europeia, quando para Jean Giraud. A série foi criada por Jijé, em 1954, na revista Spirou, e é considerada a primeira história realista dos quadrinhos franco-belgas. Além disso, foi uma forte influência sobre Giraud e um de seus personagens mais famosos, o caubói Blueberry.

Arte de Moebius

La Route de Coronado, a 14ª aventura de Jerry Spring (embora tenha sido publicada originalmente no 11º encadernado da série), foi lançada em 1962, nos números #1192 a #1213 da revista Spirou. O roteiro é de Philippe Gillain e a arte é de Jijé e Giraud, que nesta época já assinava seus trabalhos com o pseudônimo Gir. Entre 1961 e 1962, Giraud também trabalhou para a editora Hachette, na série em quadrinhos A História da Civilização, ao lado de Jean-Claude Mézières. O escritor Jean-Michel Charlier estava em busca de um desenhista para ilustrar um faroeste situado em Nevada, nos Estados Unidos. Jijé recusou a oferta, mas recomendou Giraud a Charlier. Foi assim que nasceu a parceria entre ambos, cujo resultado pôde ser visto em 31 de outubro de 1963, com o lançamento de Fort Navajo, na revista Pilote, a primeira aventura do tenente Mike Donovan, mais conhecido como Blueberry, e cuja aparência – e o nariz quebrado – foi inspirada no ator Jean-Paul Belmondo. Ele assinou as páginas de Blueberry como Gir, embora seu nome aparecesse por completo na capa dos álbuns. No total a saga de Blueberry tem 28 álbuns. Além disso, Giraud também escreveu os roteiros das histórias de Marshall Blueberry (ilustradas por William Vance e Michel Rouge), A Juventude de Blueberry (com arte de Colin Wilson e Michel Blanc-Dumont) e Mister Blueberry, nos quais ele assina tanto o roteiro quanto a arte. Paralelamente ao seu trabalho em Blueberry, entre 1963 e 1964, Giraud publicou 21 histórias curtas na revista Hara-Kiri (importante título de humor e sátira, criado por François Cavanna, que antecedeu o jornal Charlie Hebdo), com o pseudônimo com o qual seria mais conhecido, Moebius. das várias histórias desta fase destaca-se L’Homme du XXIe siècle, lançada em maio de 1963, em Hara-Kiri #28. O nome Moebius foi inspirado na fita (ou tira) de Möbius, espaço topológico descrito pelo matemático alemão August Ferdinand Möbius. A partir deste ponto, a carreira de Gir/Giraud e Moebius estaria dividida; e o segundo pseudônimo foi reservado para o trabalho mais experimental para as histórias de ficção científica. Em 1969, Moebius faz algumas ilustrações de ficção científica para Éditions OPTA (Office de Publicité Technique et Artistique). Foi uma das poucas vezes que o pseudônimo foi utilizado pelo artista, entre os anos de 1964 e 1974. Um dos últimos trabalhos de Giraud para a revista Pilote foi La Deviation, de 1973, uma tira em preto e branco, de sete páginas, assinada como Gir, mostrando uma viagem de férias surreal.

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Giraud se desentendeu com os editores da Pilote no mesmo ano e passou a colaborar com a revista l’Écho des Savanes. No ano de 1974, Moebius desenhou Cauchemar Blanc (que foi adaptado para o cinema por Mathieu Kassovitz, num curta-metragem, em 1991), para l’Écho des Savanes; Le Bandard Fou, para Éditions du Fromage; o clássico O Homem é Bom (L’Homme est-il bon?), em Pilote #744; e a Futurópolis lançou o álbum 30/40, assinado por Gir. Um ano mais tarde, Jean Giraud, Jean-Pierre Dionnet, Philippe Druillet e Bernard Farkas fundaram a editora Humanoïdes Associés e lançaram a revista Métal Hurlant. Métal Hurlant é um dos títulos mais importantes da história dos quadrinhos. Foi nas páginas desta revista que Moebius publicou Arzach (cuja grafia do nome varia bastante de história para história: Arzach, Harzak, Harzack, Harzach e Arzak). Esta aventura, publicada entre 1975 e 1976, foi considerada revolucionária para época e consistia numa série de histórias mudas. O material lhe deu renome internacional e Moebius passou a ser procurado por diversos cineastas. Não é de se estranhar que a história lhe rendeu o troféu Yellow Kid, do Festival de HQ de Lucca, na Itália, em 1975, como o melhor desenhista estrangeiro. Ele voltaria a ganhar esse prêmio, na mesma categoria, em 1980. Outras HQs de Moebius publicadas na Métal Hurlant são: A Garagem Hermética (Le Garage Hermétique), em 1979; The Long Tomorrow (com texto de Dan O’Bannon), em 1976; Double Évasion, em 1980; L’univers est bien petit, em 1976; e Citadelle Aveugle, em 1981.

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Moebius e Alejandro Jodorowsky se conheceram em 1975. A primeira colaboração de ambos ocorreu no fracassado Duna, de Jodorowsky, uma tentativa de adaptar o livro de Frank Herbert para o cinema, com storyboards de Moebius. O projeto não foi concluído. Em 1976, Giraud brigou com os editores da Dargaud e a série Blueberry foi suspensa temporariamente. O personagem chegou a ser publicado na revista Super-As e na Métal Hurlant, em 1979. No mesmo ano, Giraud voltou a colaborar com a Pilote, com Jim Cutlass, uma edição especial escrita por Jean-Michel Charlier. Jodorowsky e Moebius voltaram a colaborar em 1977, em Os Olhos do Gato (Les Yeux du Chat). A parceria continuaria entre 1980 e 1988, com a publicação das aventuras de John Difool, nos seis álbuns da série O Incal. Após o término da série, em 1988, Moebius passou o desenho do projeto seguinte, Antes do Incal, para seu aluno, Zoran Janjetov. oebius foi eleito o melhor artista francês, no Festival de Angoulême de 1977. Ele voltou a ser homenageado em 1981, recebendo o Grand Prix de Angoulême. Em 1985, recebeu o grand prix de artes gráficas, no mesmo festival. Em 1983, ele criou HQ publicitária Sur l’Étoile, para a Citroën, que posteriormente foi reprisada e incluída na série O Mundo de Aedena, da editora Casterman, em 1990.

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No ano seguinte, Moebius emigrou para Los Angeles, nos Estados Unidos, criou a Éditions Aedena. Sua esposa, na época, Claudine Giraud, fundou a Starwatcher, empresa dedicada à produtos derivados das histórias em quadrinhos. Nesse período, o artista fez uma parceria com a Marvel Comics, que passou a publicar a maior parte de sua obra no selo Epic Comics. Algumas dessas obras foram lançadas no Brasil, pela Editora Globo. O material publicado pela Epic rendeu ao artista o Prêmio Harvey, de 1988, na categoria melhor material estrangeiro; e em 1989, pelos seis volumes do Incal. O Incal também lhe rendeu o Prêmio Eisner em 1989, na categoria melhor série completa. A “Casa das Ideias” aproveitou a parceria com o artista e lançou vários cartazes de personagens como Homem-Aranha, Justiceiro e Homem de Ferro ilustrados pelo mestre francês. Paralelamente a estes eventos, em 1985, Moebius viajou ao Japão, para trabalhar no desenho animado Little Nemo (veja mais detalhes abaixo, em Moebius e o Cinema). Foi nesta época que conheceu Hayao Miyazaki, autor da série Nausicaä. Miyazaki relatou numa entrevista que foi fortemente influenciado por Arzach, de Moebius. Moebius e Geof Darrow colaboraram juntos numa série limitadas de ilustrações publicadas com o nome de Cité Feu, posteriormente lançadas nos Estados Unidos como City of Fire. A dupla se conheceu por volta de 1982, quando Moebius estava trabalhando em Tron. Em 2005, os dois voltaram a colaborar, quando Moebius ilustrou uma capa de Shaolin Cowboy, revista de Geoff Darrow.

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Apesar de todos os seus trabalhos, o artista não abandonou seus trabalhos na Europa. Em 1986, escreveu dois roteiros que foram ilustrados por Marc Bati, La Nuit de l’Étoile (volume lançado pela Éditions Aedena) e Altor (lançado pela Dargaud, originalmente com o título Cristal Majeure). Entre 1988 e 1989, Moebius ilustrou um roteiro de Stan Lee, com o Surfista Prateado. A história Surfista Prateado – Parábola foi originalmente publicada em duas partes pela Epic, em formato comics, em papel jornal e posteriormente reunida num volume único. Duas histórias originais baseadas nos personagens de A Garagem Hermética foram publicadas neste período: The Elsewhere Prince (lançada no Brasil como O Príncipe de Aliors, pela Globo), com texto de Jean-Marc Lofficier e arte de Eric Shanower, de 1990, com seis edições; e The Onyx Overlord, escrita por Lofficier e ilustrada por Jerry Bingham, com quatro volumes publicados em 1992. Moebius retornou à Paris, em 1989, e passou a colaborar com a revista À Suivre, com histórias da série Mundo de Aedena – baseada na antiga HQ promocional que havia feito para a Citroën – e Jim Cutlass (esta última ilustrada por Christian Rossi). Com a morte de Jean-Michel Charlier, em 1989, Giraud assumiu os roteiros de Blueberry. Os volumes de Marshall Blueberry, ilustrados por William Vance (desenhista da série XIII) e Michel Rouge passaram a ser publicados pela Alpen, em 1991, e depois pela Dargaud.Em 1991, uma colaboração com Paul Chadwick e Charles Vess, na rev ista Concrete, lhe rendeu mais um Prêmio Eisner, desta vez na categoria de melhor edição. A série Blueberry foi vencedora do prêmio Harvey, de 1991. Ainda em 1991, a Casterman publicou o livro de entrevistas Moebius Entretiens Avec Numa Sadoul, uma reedição integral do volume anteriormente lançado pela Albin Michel, com o título Mister Moebius e Docteur Gir. No ano seguinte, Moebius voltaria a colaborar com Jodorowsky, na graphic novel Coeur Couronee, lançada pela Humanoïdes Associés, e que teve continuidade na trilogia La Folle du Sacré-Coeur. No início da década de 1990, Giraud voltou a se envolver com cinema e animação com os filmes Starwatcher e uma tentativa de adaptar A Garagem Hermética como um longa de animação, que, apesar de grandes esforços, nunca foi concluída.

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Em 1994, voltou a escrever Little Nemo, desta vez numa HQ desenhada por Bruno Marchand. No mesmo ano, também escreveu Mr. Mouche, baseado numa ilustração de um portfólio de 1987, em parceria com Coudray. Outra HQ de 1994 foi Homem de Ciguri (L’Homme de Ciguri), a continuação de Le Garage Hermétique. O artista voltou a colabora com Jodorowsky, em 1995, com o álbum Griffes d’Ange. Seu trabalho seguinte foi uma colaboração no projeto coletivo da Humanoïdes Associés, L’ode a L’X. Em 1997, ilustrou a versão francesa de O Alquimista, livro do escritor brasileiro, Paulo Coelho. No mesmo ano, o ilustrador francês foi homenageado com exposições sobre sua obra nas cidades italianas de Palermo e Milão. Em 1998, foi homenageado em Veneza. A Fundação Cartier lhe rendeu uma homenagem em 1999, com uma bela exposição, fato que se repetiria quase uma década mais tarde. 1999 também foi o ano da publicação da biografia do artista, Moebius-Giraud, histoire de mon double, livro de 214 páginas lançado pela Éditions 1. A última colaboração entre Moebius e Jodorowsky ocorreu em 2000, com Après l’Incal, livro lançado pela Humanoïdes, em 2001, e cuja história permaneceu inacabada até 2011, quando foi encerrada com texto de Jodorowsky e arte de José Omar Ladrónn. Ikaru, também de 2000, é uma colaboração entre Moebius e Jiro Taniguchi, com texto do artista francês, publicada originalmente na revista japonesa Morning, pela Kodansha. Esta HQ foi publicada na França, em 2005, com o tíutlo Icare, pela editora Kana. Thierry Groensteen foi o curador da exposição Trait de Génie Giraud Moebius, sobre a carreira de Moebius realizada entre 26 de janeiro e 3 de setembro de 2000, em Angoulême.

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A Casterman publicou em 2001 o álbum Les Réparateurs, reunindo quatro histórias raras e pouco conhecidas de Mundo de Aedena. O volume não é parte oficial da série. Em 2001, Jean Giroud ilustrou capas para a série Transmetropolitan, de Warren Ellis e Darick Robertson. Entre 2001 e 2004, ele publicou várias HQs pela editora Stardom, como 40 Days dan le désert B, 2001 aprés Jésus-Christ, La Mémoire de l’âme, Mystère Montrouge e Un an dans la vie – 2001-2002. Em 2004, ele colaborou com Stéphane Cattaneo, ilustrando o livro Beautiful Life, lançado pela editora Zanpano. Moebius e Miyazaki voltariam a se encontrar, desta vez em Paris, em 2004, por ocasião da exposição Miyazaki Moebius realizada no Musée de la Monnaie de Paris, entre 1º de março de 2004 e 13 de abril de 2005. O sucesso foi tamanho que a exposição foi prorrogada. Inside Moebius é uma série de volumes biográficos publicados pela Stardom, à partir de 2005, no qual o autor alterna a sua assinatura entre Jean Giraud e Moebius, dependendo da HQ. O correio francês contratou Jean Giraud, em 2006, para ilustrar uma série de selos com a temática As Férias do Futuro. O ano de 2007 trouxe uma supresa para os leitores da série XIII, Moebius substituiu temporariamente seu colega William Vance, e ilustrouEntre os o álbum La Version Irlandese. Uma surpresa foi o lançamento de HQ Ballon Bleu, promovida pela Cartier, para promover sua linha de relógios. Dentre os desenhistas do álbum estavam Moebius, Jiro Taniguchi, Jean-Claude Floc’h, Charles Burns, Glen Baxter, François Schuiten e Lorenzo Mattotti. Ainda no mesmo ano, o canal de TV alemão ARTE exibiu o documentário Moebius Redux, de 68 minutos, dirigido por Hasko Baumann, por ocasião do lançamento do álbum Apaches, de Blueberry, que foi escrito e ilustrado por Giraud. Em 2008, a Stardom publicou Le Chausseur Deprimée, o terceiro volume de A Garagem Hermética. Uma das novidades deste ano, foi a inauguração da atração La Citadelle du Vertige, inspirada na obra de Moebius (A Garagem Hermética), no parque temático Futuroscope, na França. A revista Photo publicou seu tradicional especial de fotógrafos amadores, em 2008, com participação de diversos autores de quadrinhos falando de seus temas prediletos. Moebius escreveu sobre Viagem e Paisagem. Em 6 de março de 2008, Moebius foi o convidado especial do jornal Le Soir, para ilustrar a edição do dia. Ainda em 2008, a Cruz Vermelha publicou A História de uma Ideia, uma edição digital que inclui uma HQ de 12 páginas ilustrada por Moebius.

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O Museu de Quadrinhos de Kyoto, no Japão, realizou em 2009 uma exposição dedicada ao desenhista francês. Em novembro de 2009, foi realizada em Paris a exposição Arzak, le retour, celebrando a publicação do novo volume da série Arzak. O livro Arzak – L’Arpenteur foi publicado pela editora Glénat, em 2010, numa parceria com a Moebius Productions. Esta aventura é a última HQ de Moebius e a série permanecerá incompleta. O ano de 2010 foi marcado pelo o reencontro de Moebius com a Fundação Cartier. A entidade organizou uma das maiores e mais compreensivas exposições realizadas sobre sua obra: Moebius-Transe-Forme, que ficou em cartaz entre 12 de outubro até 13 de março de 2011. Em 2011, durante a Feira de Antiguidades de Bruxelas, na Bélgica, dois páginas de Arzach, ilustradas por Moebius, foram vendidas por 130 mil euros, num leilão de HQs. A Humanoïdes Associés lançou, em 2011, o volume Moebius Oeuvres – Les années Métal Hurlant , com 420 páginas e reunindo 46 histórias originalmente publicadas na revista Métal Hurlant. O livro faz parte do projeto de republicação integral da obra do artista. Esse projeto resultou no lançamento das obras do artista no Brasil, pelas editoras Nemo (com a Coleção Moebius) e strong>Devir (com O Incal). O governo francês lhe concedeu, em 2011, a insígnia de Cavaleiro da Ordem de Mérito, que lhe foi entregue por Laurent Wauquiez. A última grande homenagem prestada ao artista antes de sua morte ocorreu em 2011, na 6e Biennale du 9e art de Cherbourg-Octeville. Além do evento de quadrinhos, foi realizada a exposição Moebius Multiple(s) que foi exibida entre 17 de junho até 31 de dezembro daquele ano.

Giraud e o Cinema

O primeiro projeto cinematográfico de Moebius foi a criação de storyboards para a tentativa de Jodorowsky de adaptar Duna, em 1975. Em 1977, Moebius foi contratado por Ridley Scott para criar o visual das roupas e cenários Alien – O Oitavo Passageiro. O design da criatura ficou por conta de Hans Ruedi Giger. Seu projeto seguinte foi o desenho animado Maîtres du Temps (Mestres do Tempo), de René Laloux. Moebius começou a desenhar os storyboards em 1978. A película foi lançada em 1982. O desenho animado Heavy Metal, de 1981, tem sequências criadas por Moebius, no episódio da heroína Taarna, além de ter sido fortemente influenciado pelas histórias de Arzach. Tron, da Walt Disney Company, de 1982, foi outro filme do qual Moebius participou desenhando storyboards. Em 1985, Moebius viajou para o Japão, para trabalhar em Tóquio no longa-metragem de animação baseado na HQ Little Nemo, de Winsor McCay. Além de ilustrar cenários e roupas, ele também escreveu parte do roteiro do filme. Little Nemo foi dirigido por Masanori Hata, Misami Hata e William T. Hurtz. A fracassada versão cinematográfica de He-Man, estrelada por Dolph Lundgren (Mestres do Universo, de 1987), teve direção de Gary Goddard e contou com o traço de Moebius para cenários e storyboards. Willow, filme de 1988, de Ron Howard, teve uma forte participação de Moebius na criação do visual da película. Infelizmente o trabalho realizado no papel não foi transferido com fidelidade para a telona. James Cameron contratou Moebius para criar o visual das criaturas de O Segredo do Abismo (The Abyss), de 1989. A Dark Horse Comics publicou a minissérie The Abyss, em duas partes (com texto de Randy Stradley e arte de Michael Kaluta) no mesmo ano, baseada na película e que incluía como material extra os desenhos e a arte conceitual de Moebius. Moebius também participou da produção do desenho animado Space Jam, de 1996, dirigido por Joe Pytka.

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O Quinto Elemento (Le Cinquième Élément), de 1997, dirigido por Luc Besson, é outra película que contou com a participação de Moebius na criação de cenários e no visual do filme. Mathieu Kassovitz adaptou para o cinema a HQ Cauchemar Blanc, de Moebius, num curta-metragem lançado em 1991. Em 2004, foi lançado Blueberry, l’expérience secrète, filme de Jan Kounen, que fracassou nas bilheterias e que foi baseado no faroeste de Charlier e Giraud.

Repercussão

A repercussão da morte de Giraud foi imediata. Artistas e escritores de vários países prestaram suas homenagens – em blogs, no Twitter e outras redes sociais -, dividindo suas memórias, fotografias e ilustrações. Paulo Coelho postou uma nota em seu blog, dizendo que foi uma honra trabalhar com Moebius na versão ilustrada de O Alquimista. O desenhista François Boucq, que havia visitado Moebius no hospital há poucos dias, disse a AFP que o artista era um mestre do desenho realista. O diretor do Festival de Angoulême, Benoit Mouchart, o comparou a grandes nomes da pintura, como Albrecht Durer e Jean-Auguste-Dominique Ingres. O Ministro da Cultura da França, Fréderic Mitterrand disse que o país havia perdido “dois grandes artistas”, uma referência aos dois nomes que Jean Giraud usava para assinar seus trabalhos. Neil Gaiman disse que quando trabalhava em Sandman, para sustentar sua família, costumava olhar sem nenhuma inveja a grandes desenhistas e suas obras, mas que pagou o equivalente ao que ele recebia para escrever uma edição de Sandman, sem hesitar, por uma ilustração da Morte feita por Moebius.

Conheça o site : www.moebius.fr

 

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