Livros & Prisão = Escritores (Em alguns casos…)

 Escritores que tiveram contato com o mundo do crime encantam um grande número de leitores. A experiência da marginalidade é o combustivel de autores como Edward Bunker, Plinio Marcos, João do Rio e tantos outros. Há os que estão do outro lado da situação, como Rubem Fonseca, grande autor policial, que foi delegado de policia e investigador. Mas isto é outra história…No caso de escritores como Bunker e Himes, a cadeia veio em consequência de crimes praticados contra terceiros.  Chester Himes passou 07 anos na cadeia, após assalto a mão armada, e veio a se consagrar como autor do livro “O passado fará você chorar”. Himes descreveu no livro “O passado fará você chorar” a vida na prisão. Hoje é um dos grandes autores americanos, reconhecido mundialmente. Da França, temos o exemplo de Jean-Claude Izzo, que publicou seu primeiro romance aos 50 anos. Depois de uma vida nas ruas de Marselha. O que impressiona é que  estes escritores citam, em suas obras, a literatura como uma espécie de salvação. Uma forma, tardia, de educação da alma. Diria Flaubert: Educação Sentimental. Porém o livro atinge a alma do encarcerado, lugar onde o direito não chega.  A revolta explode em forma de criatividade e surge o escritor. Obviamente que o talento, este sempre nato, recebe um empurrão da leitura e aflora. Mas para aqueles cujo o exercicio da escrita é tortura nasce uma semente: a curiosidade. Através dela surge o leitor curioso. E deste leitor, pode apostar, um homem melhor. Porque não há ser humano que resista aos apelos da arte. Seja escrita, tocada, encenada ou pintada. Verso ou prosa. Sempre há de nascer algo bom deste encontro. Talvez seja por isto que as ditaduras controlem a escrita e o cinema. Zelando para que a ignorância e a ilusão sustentem o regime. Não há o que segure o “homem educado”! Aquele que persegue a luz da própria consciência e examina a si mesmo. Sem esperar de “outros mundos” e salvadores a sua própria redenção. Há, também, os simplistas que afirmam nascer a criatividade de dois fatores: Tempo e falta do que fazer. Conheça abaixo alguns autores e livros que nasceram na prisão:

Thomas Malory, romancista inglês, publica em 1485 o livro “A morte de Arthur”, escrito em 1465, quando o autor cumpria pena em Londres. Malory é o autor mais famoso sobre as histórias do Rei Arthur.

Marco Polo, famoso explorador, passou 01 ano preso após regressar da China. Neste periodo, ditou a um amigo da cadeia o livro “Viagens de Marco Polo”.

Miguel de Cervantes, autor de “Dom Quixote”, escreve na prisão, aonde passou 03 meses, os primeiros capítulos de uma das maiores obras-primas da humanidade.

Jean Genet, famoso e cultuado autor marginal, viveu treze anos encarcerado, tendo escrito “Nossa senhora das Flores”, um dos seus livros mais famosos.

Dostoievski, é talvez o simbolo desta literatura, teve a pena de morte comutada para prisão. Na prisão, em plena revolução russa, escreveu “Crime e castigo”, “O idiota” e outros clássicos. Em 1960 foi considerado um autor universal.

Graciliano Ramos, nosso representante brasileiro, amargou na ditadura Vargas um periodo de 09 meses na Ilha Grande. Tendo escrito após a experiência o romance  “Memórias do Carcere”.

Chester Himes, 07 anos preso, roubo a mão armada. Autor de “O passado fará você chorar” e considerado um dos maiores escritores do século XX.  Faleceu em 1984, na Espanha. Seus livros estão sendo traduzidos para o português e lançados no Brasil.

Boa leitura!

 

 

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s