Anatole France – Voce conhece?

anatoleEste senhor, de perfil luminoso, cuja obra não foi traduzida em sua totalidade para o português  e cujo crime foi ter ganho o Nobel de literatura em 1921, concorrendo contra Bernard Shaw, H.G. Wells, W. Yeats e Henri Bergson, chama-se Anatole France.   Desconhecia sua obra até descobrir a primorosa tradução de Marcos de Castro, editada pela Record,  “O crime de Sylvestre Bonnard”. É sem dúvida  um gigante da literatura francesa. Seu personagem Sylvestre Bonnard é  um dos mais simpáticos e cativantes   da  literatura produzida no século XIX. Deve ser complicado nascer e escrever no mesmo palco onde viveram nomes como Balzac, Proust, Baudelaire e tantos outros. Podemos resumir a literatura francesa num desenho, destes que exibem os traços, claros e precisos, de um Da Vinci ou Holbein. Arrisco escrever que a figura do jovem seria Rimbaud e a figura madura seria Anatole France. Para aqueles que fazem da leitura um caminho de aperfeiçoamento e descobertas, fica difícil, a medida que devoramos tudo que nos cai nas mãos, descobrir novos autores e obras que nos remetam as primeiras surpresas da leitura. Falo daquela sensação absurda que nos invade quando terminamos de ler um Kafka ou um Vitor Hugo, pela primeira vez. Euforia que mais se assemelha ao primeiro mergulho no mar. Depois tudo é uma tremenda festa! Até que conheçamos os poemas de Jim Morrison, a prosa corrosiva de Burgess ou até mesmo as vanguardices e ismos do século XX. Tudo se acalma para o leitor que atinge estes píncaros. Mas a grata surpresa, dos primeiros textos, volta em grande estilo quando descobrimos um novo autor. No meu caso em um estilo claro e bem polido. O estilo de Anatole France. O mesmo estilo que influenciou Hemingway, Conrad e tantos outros. Pena que haja poucas traduções em português. Terrível; a constatação de que tantos leitores experimentados não conheçam a obra deste parisiense da gema. Nenhum outro escritor, sem ofensa a Balzac e Proust, exaltou a cidade de Paris, em todo seu esplendor e glória, com tanta maestria e paixão. Quando questionado sobre a arte de escrever dizia apenas três palavras: “Clareza, clareza e clareza.”

M.N.

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