Alberto Massuda – Um pintor da Tradição – Grandes pintores brasileiros I

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Oleo sobre tela – 40×50 – col. Particular
Massuda
“A caça” – 50 x 40 – Acrilica sobre tela – 1997
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“Vênus fantasiada” – 70 x 70cm – Óleo sobre Eucatex – 1997

Houve um gênero literário clássico, EKPHRASIS, que constituía em descrever uma pintura, com tanta beleza e detalhe, que até mesmo quem nunca tivesse visto poderia vê-la como se estivesse bem na sua frente. Conta-se que quando descobriram o LAOCOONTE, em Roma, 1506, as pessoas reconheceram a famosa escultura grega por causa da descrição verbal fornecida por Plínio, o Velho, em sua obra Naturalis Historia. O mundo evoluiu, as artes experimentaram e experimentam todo tipo de “ismo” e técnicas possíveis. Porém, uma “cousa” não muda e jamais mudara. E é esta “cousa”, descrita na mais elaborada Ekphrasis ou na mais bela edição, impressa ou digital, que determina a força e o alcance de uma Obra junto ao público e na sua duração temporal. Infelizmente, mesmo pertencendo a esta tradição, muitos pintores em atividade no Brasil permanecem desconhecidos. Muitos pintores, ocultos pela bruma do chamado “mercado”, esperam a vez e a hora de apresentarem seu discurso. Aquele mesmo que desfila desde tempos imemoriais através de cores, formas e gestos. E que encanta os mais jovens, os mais velhos e aqueles que descobrem o mundo, através das tintas, pela primeira vez, nas paredes e corredores dos museus. Assim tem sido com a pintura de Alberto Massuda. Nascido na cidade do Cairo, em 1925. Um artista curioso que participou do movimento artístico egípcio (Group de L’arte Contemporain) e que na década de 50 experimentou a efervescência artística de Roma. Em 1958, mudou-se para o Brasil, naturalizando-se brasileiro em 1966. Foi no Paraná que fincou raízes e trouxe os ventos da “modernidade” para a pintura local. A liberdade, a filosofia grega e o mundo apolíneo, no sonhado mundo ideal, invadem as composições de Massuda. Chamam o espectador a partilharem do vinho, da mesa, da festa, amores e mistérios que movem o mundo. Desta grande tradição, a qual Massuda pertence, evocamos a pintura de Chagall e sua força inconsciente. O sonho, a volúpia pela vida e a beleza que arrebata pintores, escultores, escritores e que sempre nos exige mais. Esta tudo lá; no traço e nas cores que Alberto Massuda gravou em suas telas. É certo que você não encontrara, na web, muitas informações sobre este pintor, falecido na cidade de Curitiba em 2000. Além do pequeno verbete no Dicionário de Pintores Brasileiros, editado pela Bozano & Simonsen, em 1986, ou no dicionário de Artes Plásticas no Brasil, de Roberto Pontual. Mas é muito provável que ao visitar sua obra, e encara-la de frente, tudo que lhe restara será a perplexidade! E é este sentimento que sempre existiu, desde que o homem começou a pensar,  que faz Massuda pertencer a tradição dos grandes pintores.

Marcel Pinie (autor do livro “O mal de Caravaggio”)

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